Captured Tales

A Twinkle in Santa’s Eye

Bill Tiepelman0 comentários
A Twinkle in Santa’s Eye

O olhar cintilante de Papai Noel

Era uma véspera de Natal nevada, e Papai Noel acabara de descer pela enésima chaminé da noite. Tirando a fuligem do traje, ajeitou o cinto e parou um instante para admirar a sala aconchegante em que entrara. Luzes piscando na árvore lançavam um brilho quente, meias pendiam ordenadamente sobre a lareira e o leve aroma de pão de gengibre preenchia o ar. Mas algo parecia… diferente. Estranhamente mágico.

Antes que pudesse identificar a origem de sua inquietação, um brilho cintilante chamou sua atenção. Sentada sobre a poltrona, de pernas cruzadas e sorriso travesso, havia uma fada como nenhuma outra. Seu vestido rosa brilhante abraçava a silhueta, e suas asas iridescentes reluziam à luz da árvore de Natal. Uma única flor entre os cachos dourados completava o visual. Ela irradiava atrevimento, brilho e uma pitada de encrenca. “Ora, ora, ora”, ronronou, apoiando o queixo na mão, “o homem do momento, todo arrumado e pronto para arrasar.”

Papai Noel paralisou, seus olhos cintilantes se arregalando atrás dos óculos. “Quem é você, e o que está fazendo aqui?”, perguntou, com a voz dividida entre curiosidade e cautela. A fada saltou graciosamente da poltrona, os saltos brilhantes batendo no piso de madeira. “Ah, não finja tanta surpresa, São Nicolau. Estou na sua lista dos bonzinhos e dos malcriados há anos. Você só nunca teve o prazer de me conhecer pessoalmente.” “É mesmo?”, respondeu Papai Noel, cruzando os braços sobre a barriga alegre. “E a qual lista você pertence?”

Ela riu, num som de sininhos, e bateu as asas. “Depende de quem pergunta. Mas, a julgar pelo seu rubor, eu diria que estou bem no meio.” Papai Noel riu, as bochechas de fato rosadas, embora nem ele soubesse se era pelo calor da lareira ou pelo tom provocador dela. “Bem, senhorita Fada, é um prazer conhecê-la. Agora, se me der licença, tenho presentes para entregar.” Ela bloqueou seu caminho com um biquinho brincalhão. “Presentes? É só isso que importa? Vamos, Noel, cadê a diversão? Você trabalha duro há séculos — não merece uma travessurinha de vez em quando?”

“Travessura?”, perguntou Papai Noel, erguendo uma sobrancelha espessa. “Já tenho toda a travessura que consigo aguentar lá no Polo Norte. Já viu uma rena enlouquecida de açúcar? Acredite, não vai querer.” A fada inclinou a cabeça, claramente nada impressionada. “Ah, por favor. Já vi você piscando para os elfos quando Mamãe Noel não está olhando. Não se faça de inocente.” Papai Noel fingiu indignação. “Piscando? Eu não pisco!” “Sei”, disse ela, cruzando os braços e batendo um salto cintilante no chão. “E eu não espalho pó de fada. Admita, grandão: você tem um brilho no olhar capaz de iluminar o Polo Norte inteiro. Mas não se preocupe, não vim julgar. Vim ajudar.”

“Ajudar?”, repetiu Papai Noel, intrigado. “Que tipo de ajuda?” A fada sorriu e tirou de trás das costas uma varinha minúscula de visco. “Ah, você vai ver. Digamos que sou especialista em dar um pouco de brilho ao Natal. Agora fique quietinho e deixe-me fazer minha magia.” Papai Noel deu um passo cauteloso para trás. “Escute, senhorita Fada, agradeço a oferta, mas realmente tenho trabalho a fazer…” “Trabalho, trabalho”, interrompeu ela, agitando a varinha. De repente, a sala se encheu de uma chuva de flocos de neve cintilantes, cada um captando a luz como uma estrelinha. O traje vermelho de Papai Noel brilhou, suas botas reluziram e até o gorro pareceu ganhar mais fofura. Ele olhou para si mesmo, perplexo.

“Mas que coisa do Polo Norte está acontecendo?”, exclamou. A fada bateu palmas, encantada. “Isso é que eu chamo de festivo! Você está praticamente luminoso, Noel. Vai me agradecer depois.” Papai Noel balançou a cabeça, tentando tirar o glitter do traje, mas ele se agarrava teimosamente. “Sabe, Mamãe Noel vai fazer perguntas sobre isso.” “Mamãe Noel?”, disse a fada, com as asas tremulando enquanto se aproximava. “Ela não precisa saber. Nosso segredinho.” Os olhos de Papai Noel se arregalaram. “Você é uma encrenca, sabia?” “E você adora”, respondeu ela, piscando.

Sem conseguir evitar, Papai Noel riu. “Está bem, você venceu. Mas só se prometer manter isso entre nós. Não posso deixar os elfos acharem que amoleci.” A fada lhe fez uma continência, com uma expressão de seriedade fingida. “Seu segredo está seguro comigo, Noel. Agora vá espalhar alegria natalina — e não se esqueça de se divertir pelo caminho.” Com um último redemoinho de glitter, ela desapareceu, deixando Papai Noel sozinho na sala iluminada. Ele balançou a cabeça, com um sorriso divertido. “Fadas”, resmungou, ajeitando o gorro. “Sempre sabem como deixar tudo interessante.”

E assim ele subiu de volta pela chaminé, com o traje brilhando mais do que nunca, e continuou a jornada. Mas, de vez em quando, ao entregar presentes, via seu reflexo numa janela coberta de geada e ria. A fada tinha razão: havia um brilho em seus olhos. E talvez, apenas talvez, ele gostasse disso.

O olhar cintilante de Papai Noel — um poema

Papai Noel desceu a chaminé com elegância,
Surpreendido por um brilho no ar.
Em seu ombro, uma fada de fino esplendor,
Coberta de glitter, asas em fulgor. “Ora, ora”, disse ela, num sorriso atrevido,
“Que encontro curioso, todo de pecado vestido!”
“Pecado?”, riu Noel, ajeitando o gorro de lado,
“É fuligem, querida — não me provoque assim!” A fada piscou e jogou o cabelo,
“Você traz os presentes, eu trago o charme.
Quem diria que São Nicolau seria tão vivaz?
Cuidado, grandão, meu olhar você atrai demais!”

Noel corou, com bochechas de cereja,
“É o chocolate”, murmurou, “subiu à cabeça, veja.”
“Ah, por favor”, cantarolou ela, “já vi sua atuação,
Piscando para os elfos, distraído demais!” “Bem, senhorita Fada, ousada você é,
Mas flerte à vontade, sou velho demais para me comprometer.”
Ela riu e se acomodou um pouco mais perto,
“Só estou brincando, Noel — substituir você não dá certo.” Os flocos rodopiaram enquanto riam juntos,
Com visco pendurado na varinha da fada.
“Ho, ho”, riu ele, “você é só surpresa,
Mas fadas paqueradoras podem causar minha derrocada, com certeza!”

Ela se aproximou, com alegria nos lábios a brilhar,
“Feliz Natal, querido Noel, agora minha cerveja vai buscar!”

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