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Ascension of a Broken Heart

Bill Tiepelman0 comentários
Ascension of a Broken Heart

Um amor dilacerado pelo destino

A chuva caía numa cascata interminável, cada gota um réquiem silencioso contra as lápides partidas. O mundo estava calado, salvo pelo céu que chorava e pelo sussurro do vento entre árvores esqueléticas. Um cemitério de almas esquecidas se estendia além do horizonte e, no centro de tudo, ele permanecia, encarando o nome recém-esculpido na pedra à sua frente.

Elara Varion

Seu amor. O elo de sua alma. Partira.

Os dedos de Lucian tremiam ao percorrer as letras; o granito frio sob seu toque não substituía o calor que um dia fora dela. Ela lhe prometera a eternidade, e agora pertencia a ela, deixando-o para trás num mundo que se tornara subitamente insuportável.

“Você mentiu”, sussurrou, com a voz se quebrando. “Disse que teríamos para sempre.”

O vento uivou em resposta, envolvendo-o como um abraço carregado de tristeza. Não lhe restava nada — não depois de ver a vida se esvair dos olhos dela, o coração falhar sob seus dedos enquanto sussurrava as últimas palavras.

“Lucian… você não deve me seguir. Ainda não.”

Mas como não seguir? Cada respiração sem ela parecia uma traição. Cada batida do coração, uma zombaria cruel.

Ao longe, a tempestade continuava, como se os próprios céus lamentassem sua perda. Relâmpagos rasgavam o céu, iluminando a paisagem desolada. Os túmulos ao redor testemunhavam silenciosamente sua dor, seus ocupantes há muito livres do tormento que ele ainda suportava.

O sacrifício do coração

Ele apertou o pingente que ainda guardava o calor dela — a única coisa que lhe deixara. Um símbolo do amor, da vida que haviam construído. Da promessa que tinham feito. Mas promessas eram coisas frágeis, quebradas pelo tempo, pelo destino… pela morte.

Lucian caiu de joelhos, a terra úmida cedendo sob seu peso, e fez o que jurara não fazer. Ele rezou.

“Leve-me no lugar dela”, implorou. “Deixe-a voltar, deixe-me desaparecer em seu lugar.”

Mas não houve resposta. Apenas o ribombar distante do trovão.

E então, aconteceu.

Uma luz carmesim ofuscante rasgou os céus, queimando a escuridão. Uma força diferente de tudo que já sentira se enroscou em seu peito, dentro de seu peito, e a dor —deuses, a dor— era insuportável. Ele arfou, apertando o peito enquanto sentia o coração ser arrancado do corpo.

E então ele foiarrancado.

Um som úmido e nauseante ecoou pelo cemitério quando seu coração — sua própria essência — foi retirado do peito, pairando à sua frente, ainda pulsante. Mas já não era apenas seu coração. Era algo mais. Envolto numa coroa de espinhos, abriu asas de um branco etéreo nas laterais, e acima dele uma auréola de luz carmesim pura ardia como um sol profano.

Ele sangrava, mas não morria. Ele doía, mas não vacilava.

Lucian tombou para a frente, arquejando, com um buraco no peito que era tanto físico quanto espiritual. Estava vazio e, ainda assim, ao longe, jurou ouvir um sussurro — suave, delicado, dolorosamente familiar.

“Lucian… não.”

Era a voz dela. Elara.

E, de repente, ele compreendeu.

Seu amor não havia morrido. Não completamente. Ela estava em algum lugar além daquele reino, presa entre luz e sombra, à espera. E seu coração — seu coração amaldiçoado e sangrento — era a chave.

Ele tinha uma escolha. Soltar, desaparecer no nada. Ou seguir o caminho que se abrira diante dele, caminhar na fronteira entre vida e morte, procurar a alma que perdera.

Lucian ergueu os olhos para o coração sangrento à sua frente, para o vórtice que girava abaixo dele, pulsando como o portal para algo maior.

Estendeu a mão.

E então —

O mundo se estilhaçou.

Entre a vida e a morte

Lucian caiu pela escuridão.

Não havia céu nem chão — apenas um abismo interminável que o puxava mais fundo, o peso da tristeza arrastando-o para algo invisível. Seu coração pairava acima, as asas batendo com uma graça lenta e pesarosa, conduzindo-o pelo vazio.

O tempo não existia ali. Não sabia se caía havia segundos ou séculos.

Então —um sussurro.

“Lucian… por que você me seguiu?”

A respiração ficou presa em sua garganta. Ele se virou desesperadamente, buscando a origem da voz, o pulso acelerado apesar da ferida aberta no peito.

“Elara!”, gritou, o nome escapando dos lábios como uma oração.

E então ela estava ali.

Permanecia no limiar entre o nada e o tudo, envolta num brilho tão tênue que tremeluzia como brasas prestes a morrer. O cabelo caía em ondas sem peso, os olhos no mesmo tom cinza-tempestade que ele decorara uma vida antes. Mas estava pálida, translúcida, como uma lembrança que mal conseguia manter a forma.

“Você não deveria estar aqui”, sussurrou, com dor na voz. “Lucian, você deveria viver.”

Seu peito doía com algo mais profundo que a perda. “Eu não consegui”, admitiu, dando um passo à frente. “Não sem você.”

Ela estremeceu, como se as palavras cortassem mais fundo que qualquer lâmina. “Você sempre foi o mais forte. Eu era a sonhadora. Você… você era minha âncora, Lucian.”

“E você era meu coração”, murmurou ele. “E eu o entreguei para encontrar você.”

Apontou para o órgão flutuante, que batia lento e constante, sangrando no espaço entre os dois. Os espinhos se cravavam mais fundo, cortando a carne que já não lhe pertencia. A auréola acima tremeluzia, como se esperasse algo.

O olhar de Elara se suavizou. “Você sempre deu demais de si mesmo.”

Lucian se aproximou. “Então deixe que eu dê isto também. Deixe que eu traga você de volta.”

O mundo tremeu. Um som de sinos distantes atravessou o vazio, a ressonância de algo antigo se movendo. Pela primeira vez, Elara pareceu assustada.

“Lucian, você não entende”, disse, desesperada. “Se fizer isso… não haverá volta. Não pode simplesmente desfazer a morte.”

“Não me importo!” Sua voz se rompeu, crua e cheia de luto. “Um mundo sem você não é um mundo em que eu queira existir!”

O preço do amor

Elara ergueu a mão, roçando os dedos no rosto dele. Ele mal conseguia senti-la, como se escapasse de suas mãos feito névoa.

“Lucian”, murmurou. “Você não precisa me salvar. Só precisa se lembrar de mim.”

A garganta dele se fechou, o corpo inteiro tremendo. “Mas não sei como viver sem você.”

Uma lágrima escorreu pelo rosto dela. “Então viva por mim.”

Lucian apertou o coração com mais força. Ainda o sentia bater, lento, constante, aguardando sua decisão.

Forçá-la a voltar — roubá-la do além — seria uma traição a tudo que ela sempre fora. Ela nunca temera a morte, apenas a ideia de deixá-lo para trás.

E, no entanto, ali estava ele, à beira da eternidade, incapaz de soltar.

Os joelhos cederam, e um soluço despedaçado escapou. “Não quero deixar você partir.”

Elara se ajoelhou diante dele, seu toque um sussurro sobre as mãos. “Nunca vai”, prometeu. “Estarei sempre aqui.” Pressionou a mão contra o peito dele, bem sobre a ferida aberta onde antes havia um coração. “Mas, Lucian… você precisa pegá-lo de volta.”

A respiração dele falhou.

Ela sorriu, embora a tristeza ainda marcasse sua expressão. “Ele nunca deveria ter saído de você.”

Esperança nas cinzas

Lucian olhou para o coração sangrento entre os dois, pairando, à espera. A luz da auréola tremeluziu, enfraquecendo, e ele percebeu —

Estava morrendo.

Se não o recuperasse agora, se deixasse a luz se apagar, não haveria retorno. Nem para ele. Nem para ela.

Ele tinha uma escolha.

Sua mão tremia ao se estender. No instante em que os dedos roçaram o coração, a dor atravessou seu corpo, fogo e gelo queimando nas veias. Ele arfou, apertando-o com força, sentindo os espinhos se cravarem na pele. No momento em que tocou o peito, o coração irrompeu de volta para dentro dele —

E ele gritou.

O mundo se despedaçou em mil fragmentos de luz.

Quando acordou, estava deitado no cemitério, a tempestade terminada havia muito. A terra sob seu corpo estava úmida de chuva, e as lápides permaneciam silenciosas à luz da manhã.

Seu corpo doía. O peito parecia em carne viva.

Mas estava vivo.

E, no vento, levado pelo mais suave dos sussurros, jurou ouvir a voz dela uma última vez.

“Viva por mim, meu amor. E um dia… eu encontrarei você de novo.”

Lucian olhou para o céu, para a aurora que nascia, para a primeira luz de um novo dia.

E, pela primeira vez desde que a perdera —

Ele respirou.

 


 

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