Captured Tales

Beware the Red Phantom

Bill Tiepelman0 comentários
Beware the Red Phantom

Na primeira vez que Gerald viu o gato, ele estava sentado no velho muro de pedra diante de seu apartamento, observando-o. Uma impressionante criatura vermelha e branca, cuja pelagem parecia perfeita demais, macia demais, demasiado... deliberada. Seus olhos azul-gelo brilhavam na penumbra e, enquanto Gerald procurava as chaves desajeitadamente, o gato abriu um sorriso malicioso.

Não um movimento normal dos lábios de um felino. Um sorriso completo, cheio de intenção.

“Xô”, resmungou Gerald, estremecendo ao girar a chave na fechadura. O gato não se moveu.

O gato volta

Os dias passaram, e o gato aparecia sem parar: empoleirado no corrimão da escada, esgueirando-se pelo beco perto do escritório, refletido na janela de um vagão de metrô em que Gerald nem havia entrado ainda. A cada vez, seu olhar demorava um pouco mais, como se o estudasse, como se esperasse.

Uma noite, uma batida seca na porta o assustou. Não esperava ninguém.

Pelo olho mágico, não havia nada além de escuridão.

Então veio o som baixo e deliberado de alguma coisa arranhando a madeira.

A respiração de Gerald falhou. Recuou, o pulso disparado. O arranhar parou, substituído por um sussurro: apenas um sopro de som.

“Me deixe entrar.”

Ele não se moveu.

Segundos passaram. Um minuto. Silêncio. Por fim, convencido de que era sua imaginação, voltou sorrateiramente ao quarto e se enfiou sob as cobertas, ainda sentindo a inquietação subir pela espinha.

Na manhã seguinte, a porta da frente estava destrancada.

O Fantasma Vermelho

A partir daí, tudo se intensificou.

As luzes piscavam quando o gato aparecia. A televisão ligava sozinha, sempre na estática. Seu reflexo nos espelhos parecia... errado. No início, eram apenas pequenos detalhes: o sorriso largo demais, as pupilas um pouco grandes demais. Depois, numa noite, seu reflexo não se moveu quando ele se mexeu.

Apenas ficou encarando.

E no canto do espelho, aninhado nas sombras, o Fantasma Vermelho observava, seu sorriso se abrindo, se esticando, cheio de dentes demais.

Gerald quebrou o espelho.

Debaixo da cama

Àquela altura, sabia que estava sendo caçado. Mas por que criatura?

Uma noite, enquanto permanecia acordado, respirando de maneira superficial, ouviu um som debaixo da cama. Um estalar suave e úmido.

Uma voz grave, ronronante, sussurrou: “Está quase na hora.”

Ele saltou da cama, pegou uma lanterna e se agachou para olhar embaixo. O facho de luz cortou a escuridão, iluminando...

Nada.

Então, devagar, a cabeça do gato emergiu das sombras.

Só que já não era bem um gato.

Seu sorriso era mais largo do que o rosto deveria permitir, com dentes irregulares reluzindo. A pelagem ondulava de maneira antinatural, se movendo como se algo se agitasse sob a pele. Os olhos azuis eram impossivelmente profundos, girando como galáxias distantes.

Gerald gritou e recuou às pressas.

Quando olhou de novo, ele havia desaparecido.

A última mensagem

Depois disso, mal dormia. Tentou mudar de apartamento, ficar com amigos, até se hospedar num hotel por uma semana. Não adiantou.

O gato sempre estava lá.

Então veio a última noite.

O celular vibrou. Uma mensagem.

Olhe lá fora.

Contrariando o bom senso, ele olhou.

O Fantasma Vermelho estava sentado na escada de incêndio. Sorrindo maliciosamente. Atrás dele, algo imenso se erguia na escuridão, se movendo, pulsando, esperando.

O celular vibrou de novo.

Abra a janela.

Seus dedos se moveram sozinhos, alcançando o trinco.

E, quando o vidro deslizou para cima, o Fantasma Vermelho saltou para dentro.

Tudo ficou escuro.

A próxima inquilina

Meses depois, o proprietário alugou o apartamento para uma nova inquilina. Uma jovem chamada Liza. Estava animada com a mudança, embora tivesse ouvido dizer que o último morador desaparecera sem deixar vestígios.

Na primeira noite, deitou-se na cama, exausta de desfazer as malas. Quando começava a adormecer, sentiu alguma coisa se mover aos pés da cama.

Um pequeno peso. Um ronronar suave.

Ela sorriu. Sempre adorara gatos.

Então o ronronar se transformou em outra coisa.

Um sussurro.

“Está quase na hora.”

 


 

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Beware the Red Phantom Prints

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