Captured Tales

Blossomfire Hatchling

Uma pequena rainha do prado enfrenta raposas, caçadores e seu próprio fogo imprevisível. Quando a gentileza surge de forma improvável, Blossomfire descobre um dom que ainda não sabe comandar.

Bill Tiepelman0 comentários
Blossomfire Hatchling, em tons pêssego e dourado, acena de um tronco musgoso sob o título Captured Tales.

A filhote no prado

Nas dobras esquecidas do mundo — onde os mapas ficavam ariscos e os cartógrafos discretamente fingiam que certas regiões não existiam — vivia uma criatura que um dia se tornaria lenda. Por enquanto, porém, era uma dragonesa bebê cambaleante, guinchante e cheia de atrevimento, que tivera a audácia de nascer sob uma árvore que nunca parava de florescer. Suas escamas reluziam como brasas quentes envoltas em pétalas de rosa, uma curiosa mistura de fragilidade e fogo, e por isso os aldeões que cochichavam sobre ela a chamavam de Blossomfire Hatchling.

Agora, se você acha que filhotes devem ser coisinhas delicadas e reservadas — satisfeitas em olhar o mundo de olhos arregalados e arrulhar suavemente —, é porque claramente ainda não conheceu esta. Desde o instante em que a casca do ovo rachou, ela já era crítica. O ar estava frio demais. As pétalas caindo em sua cabeça eram muito abusadas. A luz do sol atingia sua asa esquerda num ângulo suspeito. E nem pergunte sobre as borboletas desajeitadas que achavam que seu nariz era pista de pouso. Ela lançava a cada uma aquele olhar de soslaio capaz de azedar leite.

Ainda assim, o prado era dela. Ou, pelo menos, ela decidiu que era. Filhotes raramente pedem licença. Plantou o traseirinho roliço num tronco coberto de musgo, estufou o pequeno peito e se declarou rainha com um aceno vacilante. As abelhas, naturalmente, não aprovaram a nomeação — afinal, eram sindicalizadas —, mas foram obrigadas a aceitar sua soberania depois que ela espirrou sem querer e incendiou uma moita inteira de urtigas. As abelhas votaram por 12 a 3 a favor de simplesmente deixar o prado com ela. A democracia em ação.

Ela não era uma visão comum. Suas asas, embora naquele momento fossem tão úteis quanto cortinas de renda numa batata, cintilavam discretamente em tons de arco-íris sempre que o sol ousava beijá-las. A própria filhote era um amontoado de contradições: feroz, mas adorável; barulhenta, mas de algum modo encantadora; destrutiva, mas estranhamente boa para os negócios. Um fazendeiro jurava que, depois que ela piscara para ele do outro lado do campo, suas batatas cresceram até o tamanho de pequenas rochas. Outro aldeão insistia que, depois de ela arrotar durante uma tempestade, os sapos de seu lago subitamente aprenderam a coaxar em harmonias de barítono. Se as histórias eram verdadeiras ou apenas exageros inspirados em cerveja, pouco importava — espalhavam-se como fogo, assim como o infeliz incidente do palheiro que ela jamais conseguiria fazer esquecer.

A filhote, é claro, desconhecia tudo isso com absoluta felicidade. Não tinha conceito de lenda, de adoração, de sussurros temerosos sobre “como será quando crescer”. Seu mundo era simples: flores, insetos, raios de sol e algum esquilo teimoso que se recusava a se curvar ao seu governo. Tinha certeza de que o prado lhe pertencia por inteiro e, se você ousasse discordar, bateria o pezinho e guincharia com tamanha autoridade que até homens adultos reconsiderariam suas escolhas na vida.

Mas, apesar de todo o atrevimento e fogo, também havia doçura. Ao pôr do sol, quando o céu ficava rosa e dourado, ela esticava as asas curtinhas e olhava o horizonte. Imaginava-se voando, embora não fizesse ideia de como era voar. Às vezes, quando o vento rodopiava, achava que estava quase decolando, só para cair de bunda com um bufar indignado. E, ainda assim, continuava tentando, porque mesmo em sua fase de batata com cortinas, a esperança ardia tão intensamente quanto a centelha de suas escamas.

Viajantes que tropeçavam em seu prado costumavam falar de um calor estranho. Não aquele do sol, mas o que se enroscava dentro do peito e fazia o mundo parecer um pouco mais suave, um pouco mais gentil. Alguns partiam com cestas de flores que desabrochavam com o dobro do brilho. Outros juravam que sua sorte melhorava depois de ver seu pequeno aceno. Ela era um rumor vivo, um mito em treinamento, uma filhote destinada a algo que nem ela nem ninguém ainda sabia definir.

É claro que o destino não lhe ocupava os pensamentos. Naquela fase da vida, estava muito mais preocupada em descobrir se margaridas ou dentes-de-leão eram melhores lanches da tarde (spoiler: ambos tinham gosto de decepção, embora ela os mastigasse mesmo assim com grande cerimônia). Passava os dias rolando entre flores, perseguindo sombras e aperfeiçoando seu aceno real. Aos próprios olhos, já era a monarca reinante do encanto e da ousadia, e ninguém conseguiria convencê-la do contrário. Talvez, à sua maneira, tivesse razão. Afinal, quando se é um dragão — mesmo um bebê —, o mundo costuma se curvar um pouquinho a seu favor.

Um cheiro de encrenca

Ao sobreviver à primeira estação no prado, Blossomfire Hatchling havia conquistado entre os moradores a reputação de bênção e ameaça. Bênção porque os jardins floresciam duas vezes mais viçosos quando ela saltitava por perto; ameaça porque os varais tinham o infeliz hábito de pegar fogo espontaneamente quando ela espirrava. Seria de esperar que os aldeões evitassem o prado por completo, mas humanos são uma raça estranha. Alguns levavam oferendas — cestas de mel, frutas frescas, bugigangas brilhantes —, esperando conquistar seu favor. Outros entravam escondidos à noite, murmurando que a “fera” deveria ser expulsa antes de crescer.

A filhote, é claro, continuava gloriosamente alheia. Achava que as cestas de frutas simplesmente choviam do céu. Acreditava que os sussurros noturnos eram corujas sem nada melhor para fazer. E supunha que as bugigangas brilhantes simplesmente brotavam como cogumelos. Em sua cabeça, não era apenas a monarca do prado, mas também, claramente, a filha favorita do universo. Se alguém discordasse, bem… ela tinha seus meios de fazer sua opinião ser conhecida.

Foi numa tarde particularmente quente que seu destino — ou pelo menos sua primeira grande aventura — apareceu farejando pela grama alta. Farejando literalmente. Uma raposa magra, de pelagem ruiva e olhos cor de moedas antigas de cobre, esgueirou-se para dentro de seu reino. Tinha a marra de quem havia roubado galinhas demais sem sofrer consequências. A filhote observou-a com olhos grandes e curiosos do alto do tronco musgoso que lhe servia de trono. A raposa, igualmente curiosa, inclinou a cabeça como quem dizia: “Que diabos de criatura você deveria ser?”

Ela respondeu com um rugido esganiçado. Não era exatamente intimidador, mas teve algum efeito. A raposa se sobressaltou e depois abriu um sorriso malicioso — se raposas podem sorrir assim, e aquela certamente podia. “Brasinha”, disse, com uma voz que ronronava como fumaça, “você se senta como rainha, mas cheira a fogueira. Quem é você para reivindicar este prado?” A filhote bateu as asas curtas com indignação. Quem era ela? Era a Blossomfire Hatchling. Era flor e chama, ousadia e brilho, soberana das abelhas, terror dos esquilos e destruidora de varais! Guinchou outra vez, por mais tempo, e acrescentou uma pisada desafiadora. O próprio prado pareceu tremer, embora provavelmente fosse apenas imaginação da raposa.

“Bem”, riu a raposa, dando a volta no tronco-trono. “Você tem coragem, batata com asas. Mas coragem não basta. Este prado é imóvel de primeira para raposas. Aqui os coelhos são mais saborosos, e os besouros estalam como bala. Se acha que consegue ficar com ele, terá de provar seu valor.” A filhote se inflou como um dente-de-leão cheio de sementes. Provar seu valor? Desafio aceito. Espirrou uma vez, chamuscando a grama perigosamente perto da cauda da raposa. A raposa guinchou, saltou quase um metro e aterrissou com o pelo soltando fumaça. Ela riu — uma risadinha ofegante, salpicada de chamas — e bateu o pé outra vez só para garantir. O sorriso da raposa vacilou. Talvez, só talvez, aquela batata fosse encrenca.

Mas, antes que a raposa pudesse recuar, o chão estremeceu com uma presença completamente diferente. Um urso surgiu pesadamente entre as árvores. Não um urso qualquer — uma enorme criatura velha, de pelagem falhada, focinho cicatrizado e uma coroa de carrapichos emaranhados no pelo. Estava mal-humorado. Estava com fome. E tinha faro para mel, precisamente o que os aldeões haviam deixado na borda do prado naquela manhã. A filhote congelou, com as asinhas tremendo. A raposa praguejou baixinho e se abaixou. O urso farejou uma vez, duas, depois virou a grande cabeça para o tronco musgoso. Para ela. Para a brasinha que não tinha o direito de brilhar tanto.

Por um instante, o prado prendeu a respiração. Até as abelhas interromperam o zumbido, como se decidissem se era mais sábio abandonar o navio. A filhote, porém, lembrou que era rainha. Rainhas não se encolhiam de medo. Rainhas mandavam. Então se levantou, cambaleante, mas desafiadora, e soltou seu melhor rugido esganiçado até ali — tão alto que assustou a si mesma. Para sua surpresa, o urso parou. Piscou para ela. Depois fez algo inteiramente inesperado: bufou, rolou de barriga para cima e começou a coçar as costas na terra, como se ela tivesse acabado de lhe dar permissão para relaxar.

A raposa piscou, completamente perplexa. “Pelas nove histórias de trapaceiros… você acabou de domar aquele urso?” A filhote aproveitou a oportunidade, estufou o peito e acenou uma patinha como quem dizia: “Sim, obviamente. É assim que a realeza resolve as coisas.” Por dentro, seu coraçãozinho martelava feito tambor. Não havia domado nada — apenas tivera uma sorte incrível. Mas a sorte, decidiu, era uma coroa tão boa quanto qualquer outra. A notícia do incidente com o urso correu depressa. Ao anoitecer, os sussurros passavam de aldeia em aldeia: Blossomfire Hatchling tinha aliados. Primeiro abelhas, agora ursos. Quem seria o próximo — lobos, corujas, o próprio rio? Ela já não era apenas um rumor. Era uma força. E forças, como a história gosta de nos lembrar, raramente permanecem pequenas.

Mas o destino ainda não havia terminado de brincar com ela. Logo na manhã seguinte, acordou e encontrou não apenas olhos de raposa a observá-la, mas o brilho de algo mais frio, mais cortante, humano. Alguém finalmente viera levá-la embora.

Fogo, tolice e uma centelha de destino

O amanhecer dourou o prado, cada pétala salpicada de orvalho e cintilante, como se o próprio mundo tivesse se vestido de diamantes naquele dia. Blossomfire Hatchling se espreguiçou em seu trono musgoso, asas estremecendo, cauda se enrolando preguiçosamente. Era rainha, e o reino estava em paz — ou assim pensava. Não havia notado o ruído das botas de couro no mato, o leve brilho do aço capturando a luz da manhã, a respiração humana contida logo além das árvores.

Três figuras saíram das sombras como nuvens de tempestade mal programadas: um homem magro de capa remendada, uma mulher com uma besta grande demais para seu corpo e um cavaleiro grisalho que parecia ter sido obrigado a se aposentar tarde demais. Não eram aldeões trazendo oferendas. Eram caçadores — e tinham vindo atrás dela. A raposa, observadora astuta que era, se esgueirou para a grama alta, murmurando: “Boa sorte, batata com asas. Não me meto com humanos.” O urso, já meio adormecido, virou para o outro lado e roncou. A filhote estava sozinha.

“Por ordem do Alto Conselho do vale!”, bradou o cavaleiro, embora o som saísse mais ofegante que régio. Não apresentou selo, mandado nem explicação de por que um conselho precisava de uma besta para falar com um bebê. “A criatura conhecida como Blossomfire Hatchling deve ser capturada e confinada! Pela segurança do povo!” A filhote inclinou a cabeça. Confinada? Como se fosse algum tipo de manteigueira? Absolutamente não. Guinchou furiosamente, bateu as asas curtinhas e pisou com tanta força que um cogumelo próximo explodiu em esporos. Os humanos, nada impressionados, avançaram.

O virote da besta veio primeiro — cortando o ar em direção ao seu pequeno peito. Poderia tê-la acertado se ela não tivesse espirrado naquele exato instante. O espirro, flamejante e pouco delicado, transformou o virote numa gosma derretida que pingou inofensivamente no chão. O homem magro praguejou. O cavaleiro gemeu. A filhote arrotou fumaça e piscou, surpresa consigo mesma.

Então o caos se desenrolou como um tapete mal enrolado. Os caçadores investiram. A filhote correu. Suas perninhas se moviam furiosamente, as asas batendo em pânico inútil. Disparou entre flores, sob troncos, sobre riachos, guinchando indignada o tempo todo. Flechas se cravavam nas árvores atrás dela. Redes zuniam sobre sua cabeça. Em certo momento, o homem magro tropeçou e praguejou, enroscando-se na própria corda, o que a raposa achou hilário.

Mas a sorte, instável como sempre, não durou para sempre. Na borda do prado, ela derrapou até parar. Uma parede de jaulas de ferro se erguia, arrastada até ali por cavalos que ela não havia notado. O cheiro de metal frio e medo entrou em seu nariz. Pela primeira vez, Blossomfire Hatchling sentiu sua chama enfraquecer. Ela era pequena. Eles eram muitos. E rainhas, ao que parecia, podiam mesmo ser encurraladas. O cavaleiro ergueu a espada. A mulher recarregou a besta. O homem magro, enfim desenroscado, sorriu com o triunfo de quem estava prestes a enriquecer às custas de outra pessoa. “Ensaca ela”, sibilou. “Vai valer um resgate de rei.”

Mas o destino, malandro atrevido que é, tinha outros planos. A terra tremeu — não com a investida desajeitada dos homens, mas com o ronco retumbante e inconfundível do urso. Ele havia acordado irritado, e nada é mais irritado que um urso cujo cochilo foi interrompido por humanos agitando paus pontudos. Com um rugido que sacudiu a medula de toda criatura viva, o urso invadiu a clareira, golpeando as armas para longe como brinquedos. Os caçadores se dispersaram aos gritos. Um mergulhou de cabeça na própria jaula e prontamente se trancou lá dentro. A besta caiu inutilmente no chão. Até o cavaleiro, cansado e castigado pela vida, murmurou algo sobre “não ganhar o suficiente para isso” e fugiu.

A filhote piscou diante do caos, com a pequena mandíbula aberta. Não havia rugido. Não havia lutado. Apenas… ficara ali. E, mesmo assim, o prado havia se levantado por ela. A raposa reapareceu, lambendo uma pata com diversão presunçosa. “Nada mal, batata. Nada mal mesmo. Agora você tem ursos na folha de pagamento. Eu diria que está indo bem.”

Mas, quando a poeira baixou, algo curioso aconteceu. A filhote sentiu calor não apenas nas escamas, mas no fundo do peito. Um brilho. Um chamado. Avançou cambaleando, passou pelas redes rasgadas e espadas tortas e encostou a patinha nas jaulas de ferro. Para seu espanto, o metal amoleceu ao toque, florescendo em trepadeiras cobertas de flores. Ela guinchou de alegria. A jaula sob sua pata se afrouxou numa treliça florida, libertando o caçador preso lá dentro. Tentou a seguinte. Nada aconteceu. O brilho havia se apagado, e suas pernas se dobraram como se alguém lhes tivesse desatado os fios. A raposa a empurrou gentilmente de volta para a grama. Uma coisa impossível aparentemente bastava para uma manhã. Na linha das árvores, o cavaleiro em fuga parou. Virou-se, viu flores onde antes havia barras de ferro e voltou devagar, com as mãos vazias estendidas. Ajoelhando-se a uma distância cuidadosa, sussurrou: “Pelos deuses… ela não é um monstro.” Sua voz falhou de admiração. “É uma guardiã.”

A filhote, que ainda se considerava principalmente uma pisadora profissional e mastigadora de dentes-de-leão, não fazia ideia do que aquilo significava. Mas acenou mesmo assim, como quem dizia: Sim, sim, curvem-se à rainha batata. Os aldeões contariam a história por gerações: como uma dragonesa bebê transformou uma jaula em flores, como uma raposa e um urso se tornaram seus improváveis companheiros e como o próprio destino se curvou como ferro diante dela. Alguns jurariam que ela cresceu e se tornou uma poderosa dragonesa, defensora do vale. Outros insistiriam que permaneceu pequena para sempre, uma eterna filhote que governava pelo encanto, não pela chama.

Mas aqueles que a haviam visto, visto de verdade, conheciam a verdade. Ela era mais que flor. Era mais que fogo. Era esperança envolta em escamas, um milagre atrevido com um espirro capaz de mudar o mundo. E a melhor parte? Sua história estava apenas começando.

Um pequeno aceno. Um mundo de encanto.

É aquele pequeno aceno que sempre me faz voltar. Antes das proclamações reais e dos conselhos profundamente inúteis da raposa, Blossomfire parece simplesmente ter visto alguém que fica feliz em encontrar. Suas escamas douradas de pêssego, os chifres rosa e os enormes olhos violetas trazem calor a um cantinho de leitura ou espaço criativo. A impressão emoldurada de Blossomfire Hatchling dá a esses detalhes táteis um lugar para brilhar; uma impressão em canvas oferece outra maneira de recebê-la no seu dia a dia.

Se preferir passar algum tempo no prado dela, o quebra-cabeça convida você a seguir as escamas reluzentes e o tronco musgoso peça por peça. O cartão de felicitações transforma aquela patinha alegre num olá especialmente apropriado para alguém que precise de um pequeno momento de luz. Explore a página principal da obra para conhecer os formatos disponíveis. Quer ela vá parar ao lado da sua poltrona favorita ou num envelope para um amigo, espero que leve consigo um pouco do calor obstinado da história.

Arte de Blossomfire Hatchling em impressão emoldurada, quebra-cabeça e cartão de felicitações num cantinho de leitura ensolarado.

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