Captured Tales

Celestial Guardian of Chaos and Order

Bill Tiepelman0 comentários
Celestial Guardian of Chaos and Order

O juramento quebrado

O céu ardia com a fúria de dois deuses em guerra. Fogo e gelo se chocavam nos céus, a colisão enviando ondas de choque pelo campo de batalha. Sob aquele inferno celestial, uma figura solitária permanecia — um guardião vestido numa armadura adornada com gravuras de divindades há muito esquecidas. Suas asas se estendiam, uma enegrecida pelas sombras e crepitando com relâmpagos carmesins, a outra pura como o luar, cintilando de energia azul etérea.

Azrael, o Árbitro Celestial, guardião do equilíbrio entre o Caos e a Ordem, permanecera por toda a eternidade como a última linha de defesa contra a ruína cósmica. Seu propósito era absoluto — preservar a harmonia, garantir que nenhuma força consumisse a outra. Mas agora, enquanto a guerra entre Céu e Inferno se alastrava, aquele equilíbrio havia sido destruído.

Ele fora traído.

A primeira traição

“Você não pode recusar, Azrael. Este é seu propósito.”

As palavras dos Altos Celestiais ainda ecoavam em sua mente, o decreto absoluto. Haviam ordenado que cortasse o caminho do Caos — que o destruísse por completo, inclinando a balança para que a Ordem reinasse eternamente. Mas Ordem sem oposição era tirania, uma extensão interminável de vazio estéril. Destruir o Caos era destruir a liberdade, apagar a essência da própria criação.

Ele recusara.

E, por sua recusa, haviam-no declarado traidor.

A descida

Sua queda fora violenta. Antes amado nos céus, tornara-se um exilado caçado. Enquanto as asas o levavam aos reinos mortais, sentiu a dor abrasadora de ter sua essência dilacerada — metade ainda presa à luz, a outra abraçando o poder proibido do abismo. Sua auréola, antes símbolo do favor divino, tremeluzia irregularmente acima da cabeça, testemunho de uma alma partida.

Azrael pousou num mundo marcado pela guerra que antes impedira, as botas afundando na terra manchada de sangue. O campo de batalha se estendia sem fim à frente, coberto de cadáveres de anjos e demônios. Gritos dos moribundos enchiam o ar. Ele se ajoelhou, pressionando os dedos contra o solo, sentindo o sangue vital do próprio reino estremecer sob seu toque.

“Agora você está vendo, não está?”

A voz era familiar, mas carregada de algo mais sombrio.

Azrael se virou. Uma figura emergiu da fumaça, envolta em sombras. Suas asas, antes tão radiantes quanto as do próprio Azrael, agora estavam esfarrapadas e escuras, pulsando com energia malévola. Seus olhos, antes cheios da luz da divindade, agora brilhavam como as brasas de uma estrela caída.

Lucien.

Irmão contra irmão

Um dia, haviam sido irmãos, unidos por um juramento mais antigo que o próprio tempo. Enquanto Azrael seguira o caminho do equilíbrio, Lucien escolhera outro — o da rebelião. A guerra que agora devorava todos os reinos começara com ele.

“Você caiu”, sussurrou Azrael. “E agora quer que eu caia também?”

Lucien sorriu, com uma expressão ao mesmo tempo cansada e cruel. “Você ainda não entende. Eu não caí, irmão. Fui lançado para baixo, assim como você. No instante em que os desafiou, seu destino foi selado. Não há mais equilíbrio — só sobrevivência.”

Azrael cerrou os punhos, a energia dentro dele se agitando em conflito. “Não vou escolher um lado.”

Lucien se aproximou, com as asas enegrecidas deixando um rastro de fumaça. “Então vai morrer como eles desejam.”

As lâminas se encontraram numa explosão de luz e sombra.

O ponto de ruptura

Lutaram pelo campo de batalha, seu confronto abalando os céus. A lâmina flamejante de Azrael encontrou a foice sombria de Lucien, cada golpe ecoando com a força de mundos em colisão. O sangue manchou o chão — icor divino, preto e dourado, derramando-se na terra como lágrimas celestiais.

“Acha que isso vai acabar?”, rosnou Lucien, com as armas presas num impasse brutal. “Acha que, se continuar agarrado ao seu precioso equilíbrio, tudo vai voltar a ser como antes?”

Azrael cerrou os dentes, sua mente em guerra consigo mesma. Passara eras mantendo a balança, garantindo que o cosmos não se inclinasse demais para nenhum dos lados. Mas agora? Agora via a verdade — não restava equilíbrio a preservar.

Com um rugido, empurrou Lucien para trás, fazendo-o deslizar pelo chão destruído. Suas asas tremiam, o corpo dividido entre o que fora e o que estava se tornando.

Então veio a segunda traição.

O pecado imperdoável

Uma lâmina da mais pura luz perfurou suas costas.

Azrael arfou, o ar escapando num sussurro sufocado. Virou-se, com a visão turva, e os viu — guerreiros Celestiais, os mesmos que um dia chamara de irmãos, atrás dele, de armas erguidas.

“É necessário”, murmurou um deles, com tristeza na voz. “Pelo bem de todos.”

Eles nunca haviam pretendido deixá-lo viver.

A dor era diferente de tudo que conhecera. Seus joelhos cederam, a força se esvaindo enquanto os seus se voltavam contra ele. Olhou para os céus, buscando um sinal, um sussurro de propósito.

Nada veio.

E assim, enquanto a luz abandonava sua visão e a alma vacilava à beira do esquecimento, fez a única coisa que lhe restava.

Soltou.

E, naquele instante, o Caos e a Ordem dentro dele deixaram de guerrear.

Tornaram-se um.

 


 

O acerto de contas ascendente

Não havia céu.

Nem guerra. Nem som.

Apenas escuridão — vasta e interminável.

Azrael flutuava pelo abismo, sem peso, desligado do tempo. A dor fora sua última lembrança; a traição, sua última lição. Mas ali, no vazio além da existência, a dor era apenas um eco. A lembrança de algo distante, algo… incompleto.

Então, uma voz.

Não foi pronunciada. Nem ouvida. Foi sentida.

Erga-se.

O poder correu por suas veias. Seu corpo, antes sem peso, tornou-se sólido. Sua visão, antes tomada pelo nada, agora era um inferno ofuscante de cores. Relâmpagos vermelhos percorriam a asa enegrecida, queimando o próprio vazio. Fogo azul ardia na outra, iluminando o abismo com seu brilho celestial.

Ele arfou, respirando em tragos irregulares e trêmulos.

Estava vivo.

O despertar

O campo de batalha voltou a se estender diante dele. O tempo não parara em sua ausência — a guerra continuava, um turbilhão caótico de aço e feitiçaria. Guerreiros Celestiais enfrentavam demônios caídos. Os céus sangravam fogo prateado. A terra se partia, gritando sob o peso da fúria divina.

E, no centro de tudo, estava Lucien, com a foice reluzente de icor celestial.

O sangue de Azrael.

A traição fora completa. Seus próprios irmãos o haviam abatido, e, ainda assim, não fora suficiente para acabar com ele.

Sentia-se… diferente.

Mais forte.

As forças que antes guerreavam dentro dele — Caos e Ordem — já não buscavam dominar. Haviam se fundido, tornando-se algo maior. Ele já não era apenas um guardião. Já não era simplesmente um árbitro.

Era o acerto de contas.

O retorno

Azrael desceu dos céus como uma estrela ardente.

Seu impacto enviou ondas de choque pelo campo de batalha, derrubando guerreiros. Relâmpagos crepitavam nas pontas de seus dedos; fogo rugia por onde passava. Não era anjo nem demônio, servo nem rebelde.

Era algo novo.

Lucien se virou, e sua expressão passou do triunfo a outra coisa.

Medo.

Irmão contra irmão — de novo

“Impossível”, sibilou Lucien, apertando a foice. “Você deveria estar morto.”

Os olhos de Azrael ardiam com o poder de duas estrelas. “Eu estava.”

Ele se moveu.

Mais rápido que o pensamento, mais rápido que o som. Sua lâmina encontrou a de Lucien numa colisão que fez o próprio cosmos tremer. O campo de batalha tornou-se sua arena, a guerra entre eles eclipsando a que acontecia ao redor. Cada golpe estilhaçava o ar, cada ataque talhava o próprio céu.

Lucien lutava com fúria, o desespero infiltrado em cada movimento. Azrael lutava com outra coisa.

Propósito.

O rompimento das correntes

Lucien vacilou.

Um único passo em falso.

A lâmina de Azrael atravessou o peito do irmão.

A respiração de Lucien ficou presa, os olhos carmesins se arregalaram. Cambaleou, deixando a foice escapar. Olhou para baixo, com expressão indecifrável.

“Então… é assim que acaba”, murmurou.

Azrael o segurou, abraçando o irmão caído como se pudesse se agarrar ao próprio passado. “Não precisava ser assim.”

Lucien soltou uma respiração lenta e trêmula. “Sempre precisou.”

E, com isso, a luz de seus olhos se apagou.

Azrael o deitou na terra manchada de sangue. Ao redor, o campo de batalha silenciou, a guerra parando aos poucos. Guerreiros Celestiais, demônios, todos testemunhavam o fim de uma era.

Azrael se levantou.

E falou.

O acerto de contas

“Nunca mais.”

Sua voz se espalhou, não apenas pelo campo de batalha, mas pelo próprio tecido da existência. “Esta guerra dura uma eternidade, alimentada pelo medo, pelo orgulho, pela recusa em enxergar outro caminho.”

Suas asas se abriram, com luz e escuridão entrelaçadas. “Esse caminho termina hoje.”

Ergueu a lâmina — e, com ela, sua vontade.

Os céus tremeram. A terra estremeceu. As forças do Caos e da Ordem, antes presas a uma luta eterna, se curvaram ao seu comando. Chamas celestiais irromperam do céu, enquanto sombras abissais surgiam do chão.

Os guerreiros — anjos e demônios — caíram de joelhos.

Pela primeira vez em toda a eternidade, o silêncio reinou.

A nova era

Azrael voltou os olhos para os céus, onde um dia buscara orientação. Não encontrou nenhuma.

Já não precisava dela.

A era da guerra havia terminado.

O equilíbrio não fora destruído. Não fora quebrado.

Fora reforjado.

E Azrael, nem anjo nem demônio, nem servo nem traidor, agora era seu senhor.

 


 

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