Captured Tales

Crisp Leaves and Curious Eyes

Bill Tiepelman0 comentários
Crisp Leaves and Curious Eyes

Há algo especial numa plantação de abóboras à noite. Claro, de dia é um lugar familiar, cheio de crianças risonhas, passeios em carroças de feno e suco de maçã. Mas, ao anoitecer, tudo muda. Talvez sejam as sombras das abóboras-lanterna tremulando por tempo demais, ou o vento uivando pelos milharais, sussurrando segredos como se participasse de uma piada que você não entendeu. Para Evie, aquilo era mais do que uma plantação. Era uma fuga. Uma fuga das bobagens da vida adulta: contas, roupa para lavar e homens incapazes de responder a uma mensagem em menos de 48 horas. Naquela noite, porém, viera por uma única coisa: respostas.

O chapéu de palha estava inclinado sobre o rosto, parte de uma fantasia ridícula de espantalho retirada do fundo da caixa de Halloween no sótão. A plantação não estava aberta ao público àquela hora, mas Evie não era exatamente de seguir regras. Então, sob o pretexto de “se misturar ao ambiente”, achou que a roupa seria discreta o bastante. Afinal, quem desconfiaria de uma mulher segurando um gatinho preto? Não dera nome a ele — gatos não eram sua praia —, mas ele aparecera certo dia com os olhos brilhando como se fizesse um teste para um filme de Tim Burton. Agora o maldito a seguia por toda parte, como uma sombra felpuda e julgadora.

"Muito bem, plantação misteriosa", murmurou, chutando uma abóbora qualquer com a ponta da bota, "o que você está escondendo?"

Evie nem sabia direito por que voltara. Talvez fosse o bilhete esquisito que encontrara na sacola de compras na semana anterior. “Suas respostas estão na plantação. Venha sozinha.” Rira ao ler, achando que algum fracassado do aplicativo de namoro tentava inovar nas cantadas. Ou, pior, alguma vendedora de marketing multinível querendo empurrar óleos orgânicos de especiarias de abóbora. Mas a curiosidade falou mais alto, como sempre.

Quanto mais avançava pelo campo, maiores e mais sinistras pareciam as abóboras. O luar dançava na casca laranja de cada uma, dando-lhes uma expressão estranha, quase humana. Percebeu que encarava por tempo demais uma particularmente atarracada que poderia passar por seu professor de educação física do ensino médio.

"Você também está me julgando, professor Johnson? Pois vá se ferrar. Seu circuito de crossfit era uma piada", resmungou, encarando o vegetal. O gatinho miou, como se concordasse. Ou talvez protestasse. Quem entendia os gatos?

Um estrondo na plantação

De repente, algo farfalhou entre as fileiras de milho próximas. Evie parou, com o coração dando aqueles saltos esquisitos de quando estava prestes a ser pega fazendo o que não devia. O gatinho, por outro lado, parecia totalmente indiferente, lambendo a pata como se a possibilidade de perigo fosse um detalhe.

"Quem está aí?", chamou, com a voz tremendo só um pouco. Podia ser uma mulher adulta, mas um milharal à noite fazia qualquer pessoa voltar aos nove anos. Não houve resposta, mas ela sentia olhos sobre si. E não eram apenas olhos de abóbora.

Evie apertou o gatinho nos braços; ele, mais uma vez, parecia mais irritado do que protetor. Ela girou, olhando de uma abóbora enorme para outra, quase esperando que alguma se levantasse e começasse a persegui-la como num filme de terror B. Então, atrás de um grupo particularmente grande de girassóis, surgiu uma figura.

"Ora, ora, se não é a senhorita Espantalho. Você caprichou mesmo, hein?"

A voz era irritantemente familiar. Era Todd. Claro que era Todd. O único sujeito que ela conhecia que invadiria uma plantação de abóboras por diversão e que, por algum motivo, achava que aparecer sem avisar era “excêntrico”, e não simplesmente assustador.

"Todd? Sério? O bilhete era seu? Que merda é essa?"

Todd sorriu de canto, avançando para o luar e revelando uma fantasia de pirata toda desencontrada, com um tapa-olho escorregando da cabeça num ângulo infeliz. "Sim, sim, desculpe o teatro. Mas precisava chamar sua atenção. Você não responde às minhas mensagens."

Evie revirou tanto os olhos que achou que saltariam do crânio. "Você não pode simplesmente me atrair para uma maldita plantação de abóboras com um bilhete enigmático desses, Todd. E suas mensagens? Que parte de ‘terminamos há três meses’ não entrou nesse seu cérebro minúsculo infestado de piratas?"

"Achei romântico. Sabe, um mistério de outono? Você gosta de mistérios."

"Gosto de mistérios envolvendo crimes, Todd, não meu ex-namorado que não consegue seguir em frente."

O verdadeiro mistério

Quando Evie estava prestes a continuar o sermão — porque, se Todd merecia alguma coisa, era uma boa surra verbal —, um estrondo sacudiu o chão. As abóboras tremeram. Até Todd, com toda a pose de “sou um cara descolado”, recuou um passo.

"Ah… você sentiu isso?", perguntou Evie, com a raiva momentaneamente substituída por preocupação de verdade.

"Sim", assentiu Todd. "Foi… um terremoto?"

"Em Ohio? Sério? Essa é sua resposta?"

Antes que qualquer um encontrasse uma explicação melhor, o chão voltou a se mover. Dessa vez, não era apenas um tremor. Algo —algo— abria caminho pelo solo. O coração de Evie saltou para a garganta quando uma abóbora gigante começou a se erguer, rompendo raízes e espalhando terra por toda parte.

"Tá, MAS QUE PORRA…", soltou Todd, com os olhos do tamanho de pratos. A abóbora gigante se abriu, revelando… um homem.

Um homem? Não um homem qualquer. Usava terno, estava coberto de terra e segurava uma prancheta.

"Com licença", disse, ajeitando a gravata como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, "vim realizar a inspeção anual da plantação de abóboras. Vocês estão invadindo propriedade privada."

Evie encarou-o de boca aberta, enquanto o gatinho miava com irritação confusa.

"Quer dizer… isso é sobre normas de zoneamento ou algo assim?", perguntou, incapaz de processar o absurdo.

"Sim", disse o fiscal, folheando os papéis despreocupadamente. "Esta plantação viola diversos códigos outonais. Vocês terão que sair."

Evie e Todd trocaram olhares perplexos. A noite tomara um rumo que nem Evie, em seus mistérios mais extravagantes, conseguiria imaginar.

"Então, ah, nada de conspiração de abóboras assombradas?", perguntou Evie.

O fiscal suspirou. "Não. Apenas planejamento agrícola ruim."

Com isso, a abóbora gigante se fechou e afundou no chão como se nada tivesse acontecido. Evie ficou ali, completamente desnorteada, tentando entender que diabos acabara de testemunhar.

"Bem", murmurou Todd por fim, "pelo menos conseguiu sua resposta."

"Cale a boca, Todd."

 


 

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