Captured Tales

Embers of Friendship

Bill Tiepelman0 comentários
Embers of Friendship

Numa floresta mística onde cada folha parecia estar em chamas — não metaforicamente, mas literalmente —, uma dupla incomum boiava nas águas rasas de um rio luminoso: um filhote de fênix chamado Fluff e um pequeno dragão chamado Sizzle. E não, aquilo não era algum encontro grandioso e lendário entre duas criaturas majestosas destinadas a salvar o mundo. Nada disso. Aqueles dois mal conseguiam se salvar de um espirro. “Por que a gente fica aqui mesmo?”, perguntou Sizzle, girando a água ao redor com suas garras curtinhas. “O rio é praticamente lava, as árvores explodem em folhas de fogo a cada dez segundos, e juro que aquele esquilo tentou incendiar minha cauda mais cedo. Não acho que estejamos seguros!”

Fluff eriçou as penas já ridiculamente fofas e olhou para o amigo dragão com uma expressão tranquila, sem se abalar. “Relaxa, Sizzle. O esquilo só achou que sua cauda fosse um marshmallow. Isso é um elogio.” “Claro”, disse Sizzle, revirando os olhos e afastando uma brasa com a asa. “Porque ser confundido com um lanche era exatamente o que eu imaginava para a minha vida.” Fluff guinchou de tanto rir, lançando uma baforada de pequenas chamas ao ar. “Pelo menos você não está eternamente a um espirro da combustão espontânea!”

Sizzle assentiu, ainda pouco convencido. “Falando nisso, lembra da semana passada, quando tentou espirrar baixinho, mas acabou incendiando uma árvore inteira? Aí aquele cervo olhou para a gente como se fôssemos a pior coisa que aconteceu com a natureza desde a poluição.” “Foi um espirro!”, defendeu-se Fluff, erguendo as asas numa indignação fingida. “E não tenho culpa de ser feito de fogo. É um defeito de projeto.” Os dois boiaram em silêncio por um instante, observando mais algumas folhas flamejantes se desprenderem da copa outonal e chiarem na água parecida com lava. De vez em quando, ouvia-se um borbulhar quando a água arrotava algumas brasas, o que, como Sizzle gostava de dizer, era “nojentamente inquietante”.

“Então, e agora?”, perguntou Sizzle, claramente entediado de nadar num rio que também servia de risco à segurança. “Pensei que talvez a gente pudesse... sei lá, encontrar uma aldeia, assustar uns humanos, essas coisas de sempre”, sugeriu Fluff, casualmente, batendo as asas para flutuar um pouco acima da água. “Assustar humanos? Você? Parece um novelo gigante que pegou fogo. Vai fazer o quê, matar eles de abraço?”, retrucou Sizzle, sorrindo. “Ei! Saiba que sou uma presença muito intimidadora!”, disse Fluff, estufando o peito (o que o fazia parecer ainda mais um dente-de-leão laranja e felpudo). “Olha só.”

Sem aviso, Fluff deu uma batida poderosa de asas, lançando-se da água para o ar. Subiu — bem, mais precisamente cambaleou para cima como um pombo bêbado — e pousou num galho baixo, as asas ardendo em penas de fogo. Olhou para Sizzle com um sorriso convencido. “Isso foi... alguma coisa”, disse Sizzle, soltando uma pequena baforada de fumaça pelo nariz. “Mas talvez, da próxima vez, tente parecer menos que está sendo perseguido por abelhas invisíveis.”

Fluff suspirou dramaticamente e se largou no galho, iniciando um pequeno incêndio nas folhas ao redor. “Quer saber? Esquece assustar humanos. Vamos ocupar uma fonte termal ou algo assim. Podemos relaxar, assar uns marshmallows. Talvez eu descubra como não espirrar fogo, só para variar.” Os olhos de Sizzle brilharam à menção dos marshmallows. “Agora essa é a melhor ideia que você teve o dia inteiro.” Nesse instante, uma única brasa desceu e pousou na cauda de Sizzle, incendiando-a como uma pequena vela de estrelinhas. Ele a encarou por um segundo, depois suspirou. “Mas primeiro deixa eu apagar meu traseiro.”

Enquanto a fênix e o dragão seguiam pelo rio luminoso, deixando um rastro de pegadas fumegantes, uma coisa estava clara: podiam ser feitos de fogo, mas a amizade deles ardia mais intensamente que qualquer chama da floresta. Mesmo que, de vez em quando, incendiassem algumas coisas... sem querer. A história de Sizzle

Nascido numa orgulhosa linhagem de dragões temíveis, Sizzle era, bem... a decepção da família. Enquanto seus ancestrais cuspiam tempestades de fogo capazes de calcinar aldeias inteiras, Sizzle mal conseguia produzir uma baforada de fumaça com um cheiro suspeito de torrada queimada. Para piorar, seus irmãos já cortavam os céus, cuspindo bolas de fogo como guerreiros experientes. E então havia Sizzle — com medo de altura e para sempre preso ao chão, onde a única coisa que conseguia assar com sucesso era a própria cauda.

Desde o momento em que saiu do ovo, ficou claro que Sizzle estava destinado a algo... diferente. Seu ovo não se partiu com um estrondo poderoso, mas com algo mais parecido com um “pop” educado, seguido de um brilho fraco. A parteira dos dragões até perguntou: “Este ovo está com defeito ou estamos apostando na sutileza?” Apesar disso, os pais de Sizzle tinham esperança. Afinal, todo dragão passa por fases desajeitadas, certo? Errado. A fase desajeitada de Sizzle parecia permanente.

Quando Sizzle completou três anos, ficou evidente que as atividades tradicionais de dragão não eram para ele. Aulas de voo? Passava mais tempo batendo as asas em círculos do que realmente ganhando altitude. Treino de cuspir fogo? Espirrou uma vez e assou o próprio lanche por acidente. Duas vezes. Melhor nem falar da vez em que tentou rugir — saiu mais um guincho. Seus pais passaram a apresentá-lo como “uma obra em andamento”, enquanto Sizzle secretamente desejava apenas dominar a arte de não passar vergonha diante dos esquilos da aldeia.

Mas o que faltava a Sizzle em força bruta, ele compensava com raciocínio rápido, talento para o sarcasmo e a estranha capacidade de fazer amizade com criaturas com as quais nenhum dragão deveria sequer conversar. Foi assim que conheceu Fluff, o filhote de fênix. Enquanto outros dragões tentariam comer uma fênix assim que a vissem, Sizzle só pensou: “Ei, outro risco de incêndio ambulante. Talvez a gente se dê bem.” E se deram — como duas ervilhas resistentes ao fogo numa vagem cheia de lava.

Sizzle podia não ser o terror cuspidor de fogo que a família queria, mas havia muito aceitara que seus talentos estavam em outras áreas. Como ser o único dragão capaz de fazer uma fênix rir tanto que quase espirrava até virar uma bola de fogo. Agora, em vez de incendiar aldeias, Sizzle passa os dias ateando fogo em coisas por puro acidente, o que, surpreendentemente, tem seu encanto. Afinal, nem todo dragão pode dizer que foi convidado por uma fênix para assar marshmallows. Tudo bem, não é a coisa mais “dragônica” do mundo, mas Sizzle pensa que, se não pode vencer o fogo, melhor se divertir com ele.

A história de Fluff Fluff não era uma fênix típica. Enquanto a maioria nascia em explosões dramáticas de chamas, emergindo das cinzas como deuses emplumados do fogo, o nascimento de Fluff foi mais um... puf. Houve uma pequena faísca, um estalo sem entusiasmo e então surgiu Fluff — parecendo menos uma ave de fogo temível e mais um pintinho felpudo que ficara preso numa torradeira. Em vez de dominar os céus com poder flamejante, Fluff parecia destinado a perseguir migalhas num piquenique.

Como filhote de fênix, Fluff tinha todo o potencial ardente dos ancestrais, exceto por um probleminha: não conseguia controlá-lo. Cada espirro, soluço ou mesmo um leve tremor das asas fazia alguma coisa entrar em combustão espontânea. Certa vez, espirrou tão forte que incendiou o céu sem querer por uma tarde inteira. E isso nem foi o pior. Em outro momento, tentou cochilar numa árvore e, bem... digamos que aquela árvore agora é uma pilha permanente de cinzas. As criaturas da floresta aprenderam depressa que andar com Fluff era uma aposta arriscada.

Apesar dos acidentes de fogo, Fluff tinha uma atitude irritantemente positiva. “Faz parte do processo!”, piava depois de incendiar sem querer um inocente canteiro de flores. Sua família não tinha tanta certeza. Fênix deveriam ser criaturas majestosas de renascimento e chama, mas Fluff? Fluff era um risco de incêndio ambulante com asas. Os pais, que àquela altura estavam na quinta reencarnação, apenas lhe davam sorrisos constrangidos e murmuravam: “Ele vai aprender... não vai?”

Mas, com o tempo, ficou claro que Fluff nunca seria a fênix séria e majestosa que esperavam. Em vez disso, era o tipo de pássaro que encontrava alegria em incêndios acidentais e via cada desastre flamejante como uma oportunidade de fazer novos amigos. Foi assim que conheceu Sizzle, o pequeno dragão tão desajeitado com o fogo quanto ele. Os dois se aproximaram pela incapacidade compartilhada de não incendiar coisas. Enquanto outras criaturas os evitavam como a peste, Fluff e Sizzle se viam como parceiros perfeitos de crime — ou, pelo menos, de pequenos incidentes de incêndio florestal.

Agora, Fluff passa os dias voejando, incendiando coisas sem querer e aproveitando ao máximo sua vida nada majestosa de fênix. Claro, não é a fênix intimidadora e flamejante das lendas, mas quem precisa de toda aquela pressão? A filosofia de Fluff é simples: se você vai incendiar o mundo por acidente, pode muito bem aproveitar o calor.

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