Captured Tales

Flight of the Filigree Nuthatch

Bill Tiepelman0 comentários
Flight of the Filigree Nuthatch

Bem na borda do Bosque Encantado, onde as árvores cresciam em espirais e o ar cintilava com aroma de mel e sonhos esquecidos, vivia uma criatura tão peculiar que até os moradores mais experientes da floresta costumavam olhar duas vezes. Chamavam-na de Trepadeira de Filigrana: uma ave tecida com fios de pura magia, com penas intrincadas como renda e cantos ainda mais elaborados. Mas, apesar de toda a sua beleza, aquela trepadeira tinha um problema. Não conseguia ficar de bico fechado.

Ao contrário dos pássaros tranquilos que enfeitavam a aurora com melodias delicadas, a Trepadeira de Filigrana, chamada Tallow, tinha uma tendência a falar. Muito. E não só sobre coisas importantes, como encontrar comida ou evitar predadores. Não: Tallow tinha opiniões sobre tudo, do clima — sempre úmido demais para seu gosto — à envergadura absurdamente grande das águias (“Sinceramente, quem precisa de tanto espaço para voar?”). E não eram gorjeios ocasionais: era aquele tipo de tagarelice incessante que fazia até os esquilos cogitarem uma mudança para outra parte da floresta.

O morador mais excêntrico do Bosque Encantado

Numa manhã especialmente clara, Tallow estava empoleirado no alto de um carvalho espiralado, contemplando os campos além. Suas penas, um redemoinho hipnotizante de filigrana dourada, prateada e acobreada, captavam a luz e o faziam parecer uma joia viva. Mas ele não estava pensando na aparência. "Sabe", disse Tallow a ninguém em particular, com a voz um pouco alta demais para aquela manhã serena, "estive pensando. De que adianta voar se ninguém aprecia a arte envolvida? Quero dizer, olhem para mim. Sou praticamente uma obra de arte em movimento e, mesmo assim, alguém alguma vez para para aplaudir?"

Do galho abaixo, um ratinho-do-campo exasperado ergueu a cabeça, esfregando os olhos. "Tallow", resmungou, "mal amanheceu. Podemos deixar as crises existenciais para o meio-dia?" Tallow o ignorou, afofando as penas e voltando o olhar para o horizonte. "Vou dizer qual é o problema", continuou. "Falta espetáculo. Falta garbo. Voar hoje em dia é tão… prosaico. Todo mundo só vai do ponto A ao ponto B, sem nenhum estilo. Cadê o drama? Cadê a paixão?" O ratinho soltou um longo suspiro. "Tenho quase certeza de que a maioria das criaturas voa para sobreviver, não para… seja lá do que você está falando."

"Exatamente!", disse Tallow, pulando no galho. "E é por isso que eu, Tallow, o Magnífico, reinventarei a arte de voar! Está na hora de o mundo testemunhar algo verdadeiramente espetacular."

O grande plano de voo

O plano de Tallow, tal como ele o imaginava, era simples: encenar a apresentação aérea mais elaborada e deslumbrante que a floresta já vira. Teria voltas, espirais, mergulhos dramáticos e um grand finale com uma explosão espontânea de luz mágica — algo que nenhuma trepadeira jamais tentara. Era certo que o transformaria numa lenda. "Tem certeza disso?", perguntou uma coruja que passava, claramente preocupada enquanto Tallow explicava o plano com entusiasmo. "Certeza? Certeza? Tenho certeza absoluta!", exclamou Tallow. "Venho treinando minhas voltas, meus tonéis, meus oitos! Será o voo da minha vida."

A coruja piscou devagar. "Você sabe que a maioria das aves simplesmente… voa para chegar aos lugares, não sabe? Não é exatamente um esporte para espectadores." "Ah, vai ser", disse Tallow, confiante, "quando eu terminar." A coruja balançou a cabeça e saiu voando, resmungando algo sobre "essas aves jovens de hoje".

Alçando voo

Finalmente chegou o dia da grande apresentação de Tallow, e a notícia se espalhara por todo o bosque. Criaturas de todos os tamanhos e formas se reuniram na expectativa, algumas por curiosidade sincera, outras porque não tinham nada melhor para fazer. Até os esquilos, normalmente indiferentes às extravagâncias de Tallow, se acomodaram nas árvores, ansiosos para descobrir que tipo de desastre — ou milagre — estava prestes a acontecer. Tallow se ergueu orgulhosamente no ponto mais alto do carvalho espiralado, de asas abertas, suas penas de filigrana captando a luz numa exibição deslumbrante. O vento eriçou suas penas na medida certa e, por um instante, ele se sentiu a estrela mágica que sabia ter nascido para ser.

"Senhoras, senhores e criaturas da floresta de todos os tipos", anunciou dramaticamente, "contemplem a arte do voo como nunca a viram!" Dito isso, lançou-se ao ar. As primeiras voltas correram sem problemas: espirais graciosas, curvas elegantes, asas se movendo com precisão fluida. A plateia observava com uma mistura de surpresa e admiração. Talvez aquilo não fosse um desastre completo, afinal. Mas então veio o tonel. No entusiasmo, Tallow calculou mal o ângulo e começou a girar descontroladamente. Penas voaram em todas as direções enquanto ele tombava pelo ar, sua forma antes graciosa agora um borrão de movimentos confusos. A plateia arfou, e algumas criaturas taparam os olhos.

"Foi de propósito!", gritou Tallow, debatendo-se no ar para recuperar o controle. "Totalmente planejado! Muito vanguardista!"

O grand finale

Quando parecia prestes a cair de cabeça num arbusto de aparência particularmente hostil, Tallow se lembrou de sua arma secreta: o grand finale. Com um esforço repentino, endireitou o corpo, bateu as asas com toda a força e se concentrou. A magia em suas penas começou a brilhar, cintilando como ouro derretido. Então, num clarão de luz e cor, Tallow explodiu numa exibição luminosa de padrões cintilantes, iluminando todo o bosque. A plateia ficou em silêncio, estupefata. Era diferente de tudo que já tinham visto: uma explosão de luz, penas e magia, reunidas num único instante caótico.

Tallow pousou, um tanto cambaleante, no poleiro de onde partira, estufando o peito em triunfo. "Obrigado, obrigado!", anunciou, enquanto as criaturas começavam a murmurar admiradas. "Eu sei, eu sei, foi espetacular. Fiquem à vontade para aplaudir!" Para sua surpresa, elas aplaudiram. Uma palma lenta, depois outra e logo o bosque inteiro se encheu de aplausos — embora mais por ele ter sobrevivido do que pela apresentação em si. Tallow, sempre o artista, recebeu tudo com naturalidade. "Estarei aqui durante toda a temporada", anunciou com um floreio das asas.

Depois do espetáculo

Nos dias seguintes, Tallow se tornou uma espécie de lenda local. Sua apresentação era o assunto do bosque, e criaturas de toda parte vinham assistir aos voos elaborados, cada um mais extravagante que o anterior. É claro que ainda havia muitos contratempos — certa vez, ficou preso de cabeça para baixo numa árvore por duas horas —, mas Tallow aprendera algo importante: mesmo no fracasso podia haver brilho. E assim a Trepadeira de Filigrana continuou a cruzar os céus do Bosque Encantado, barulhenta, orgulhosa e sem um pingo de vergonha. Talvez não tivesse dominado a arte do voo silencioso, mas certamente dominara a arte do espetáculo.

E, para Tallow, aquilo era mais do que suficiente.

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Flight of the Filigree Nuthatch Art Prints

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