Não era uma noite qualquer. Não, era uma daquelas noites em que tudo parecia um pouquinho… estranho. Daquelas em que a lua parecia pairar um pouco baixo demais no céu, as estrelas cintilavam com uma dose extra de desaforo e o ar tinha um cheiro vagamente floral, bastante suspeito. Como se o mundo tivesse decidido acrescentar um toque de perfume de flor de cerejeira só para deixar todo mundo desconcertado.
Pendurado num galho fino, Bob, um morcego com o que gostava de chamar de "pelagem acima da média", balançava de cabeça para baixo, tentando entender como sua vida chegara àquele ponto. Flores de cerejeira? Sério? Que clichê. Ele queria ser misterioso e descolado, não um cenário romântico de filme do Hallmark. E, no entanto, ali estava, integrando uma postagem de Instagram prestes a acontecer, todo felpudo e fofo. Eca.
“Olha só para mim”, resmungou sarcasticamente, apertando os olhos para as pétalas que caíam suavemente ao redor. “Sou um painel ambulante do Pinterest.” Sacudiu as asas com dramaticidade, fazendo algumas flores descerem rodopiando até o chão, como se o tivessem ofendido pessoalmente.
A lua, com seu exagero teatral de sempre, brilhava tanto quanto podia, determinada a ofuscar tudo mais no céu. “Ah, olhem para mim”, parecia dizer. “Sou tão grande, redonda e convencida.” Comportamento típico de lua. Bob revirou os olhos — pelo menos tanto quanto um morcego conseguia revirá-los pendurado de cabeça para baixo.
“Dá para baixar um pouco essa intensidade?”, Bob gritou para a lua. “Tem gente tentando ser misteriosa aqui.” A lua, claro, não respondeu. Nunca respondia. Estava sempre ocupada demais sendo o centro das atenções. Já as estrelas cintilavam travessas ao fundo, como se participassem de uma piada cósmica para a qual Bob não fora convidado.
“Ah, sim, claro, podem rir”, murmurou Bob. “Vocês têm uma única função. Piscar. Impressionante mesmo. Enquanto isso, estou aqui fazendo acrobacias, desafiando a gravidade e me pendurando pelos malditos dedos dos pés. Mas claro, vamos todos admirar a grande bola brilhante no céu.”
Naquele instante, uma flor particularmente ousada desceu flutuando e teve a audácia de pousar bem na cabeça de Bob. Ele suspirou profundamente. “Perfeito. Simplesmente perfeito. Era exatamente o que eu precisava. Uma coroa de flores. Pareço o morcego-propaganda de um festival hipster. Alguém me dê um latte minúsculo para completar o visual.”
Bob já estava pendurado naquela árvore havia algumas horas, esperando que algo emocionante acontecesse. E, por emocionante, queria dizer qualquer coisa que não fosse cochilar sem querer e quase despencar no chão. A culpa não era dele, porém. A vida noturna podia ficar… repetitiva. Era de se esperar que uma criatura da noite tivesse aventuras épicas — talvez uma rave clandestina ou uma perseguição eletrizante envolvendo um vampiro —, mas não. Em geral, eram apenas noites intermináveis de ficar pendurado, literalmente, ouvindo o vento farfalhar entre os galhos.
“Por que escolhi esta árvore mesmo?”, perguntou a si próprio. “Ah, sim, porque a última tinha aquele problema com esquilos. Argh, nem me façam falar de esquilos. Uma vez, pisquei e eles roubaram meu estoque inteiro de frutinhas perfeitamente boas. E para quê? Enterrar? Em que mundo isso faz sentido? Eles sequer lembram onde as colocaram? Alerta de spoiler: não.”
De repente, uma segunda morcega — Vera — chegou voando e pousou graciosamente ao lado de Bob. Ficou ali pendurada, parecendo descolada sem fazer esforço, com as asas elegantes captando o luar no ângulo perfeito. Bob odiava quando ela fazia aquilo.
“Você parece… confortável”, disse Vera, olhando com um sorrisinho para a coroa de flores acidental de Bob.
“Ah, sim, estou vivendo um sonho”, respondeu Bob, com a voz pingando sarcasmo. “Só eu, minhas pétalas e uma lua animada demais.” Bateu as asas preguiçosamente. “A vida não podia ser melhor.”
Vera riu baixinho, e seu divertimento só aumentou a desgraça de Bob. “Você é um morcego tão dramático”, provocou. “É até adorável, naquele estilo de artista tragicamente incompreendido.”
“Por favor”, desdenhou Bob. “Não sou incompreendido. Eu me entendo perfeitamente. Só não sei por que ainda me dou ao trabalho.”
Ficaram pendurados em silêncio por algum tempo, observando as estrelas cintilarem e o vento carregar pelo ar o aroma das flores de cerejeira. De vez em quando, Bob soltava um suspiro exasperado, como se o peso de todo o céu noturno repousasse em seus pequenos ombros de morcego.
“Sabe”, disse Vera depois de um tempo, “você sempre pode simplesmente… voar para outro lugar. Se as flores de cerejeira incomodam tanto assim.”
“Voar para onde? Toda árvore por aqui parece uma página de calendário botânico. Não há como escapar dessa beleza toda.”
“Ou você poderia aproveitar”, sugeriu Vera, claramente tentando ser a voz da razão. “Não é tão ruim. Você tem um lugar privilegiado, uma ótima vista da lua…”
“Argh, não mencione a lua”, interrompeu Bob, encarando a grande bola luminosa no céu. “É uma luz noturna gigante que não se apaga. Nunca.”
“Ou”, continuou Vera, ignorando-o, “você poderia parar de reclamar de tudo. Quem sabe tentar… sei lá… se divertir?”
Bob bufou. “Me divertir? Com a economia desse jeito?”
Vera suspirou, mas havia carinho em seu olhar enquanto observava Bob se irritar com as pétalas que continuavam caindo. “Você é ridículo, sabia?”
“É, bem, alguém precisa ser a voz da razão neste mundo otimista demais.” Bob sacudiu a cabeça, derrubando a coroa de flores. “Além disso, ouvi dizer que andar infeliz está super em alta nesta temporada.”
“Ah, é?” Vera ergueu uma sobrancelha. “E onde você ouviu isso?”
“Das estrelas”, disse Bob, piscando. “São umas fofoqueiras, sabia?”
Vera riu e, por um breve instante, Bob deixou um sorriso puxar os cantos da boca. Talvez aquela noite não fosse tão ruim, afinal. Mesmo que ele se sentisse um enfeite decorativo pendurado numa cena pitoresca.
“Está bem”, suspirou Bob. “Talvez eu fique mais um pouco. Mas, se mais uma pétala pousar na minha cabeça, vou incendiar esta árvore.”
“Boa sorte com isso”, respondeu Vera, com a voz transbordando diversão. “Depois me conta como foi.”
E assim, com as estrelas dando risadinhas lá em cima e a lua continuando a brilhar como a exibida esforçada que era, Bob decidiu aguentar a noite — coroas de flores e tudo mais. Afinal, alguém precisava manter os pés no chão enquanto o resto do mundo flutuava em sua beleza ridícula.
Além disso, a vista não era nada ruim.
Gostou do encanto fantasioso de "Fur, Wings, and Midnight Stars"? Agora você pode levar um pedacinho da noite de Bob para casa! Seja para se aconchegar com uma almofada confortável ou transformar seu ambiente com uma bela tapeçaria, temos opções para você:
- Almofada – Acrescente ao sofá um toque de fantasia ao luar com esta almofada inspirada no morcego felpudo.
- Capa de edredom – Embale seus sonhos com esta encantadora cena noturna envolvendo sua cama.
- Ecobag – Leve um pedacinho da noite aonde for, perfeito para quem adora morcegos peculiares.
- Tapeçaria – Transforme sua parede numa tela de sonho banhada pelo luar com esta bela peça.
Explore a coleção completa e abrace hoje a magia de "Fur, Wings, and Midnight Stars"!

The Snail Who Looked Twice at Trouble
The Gnome Who Swore the Mushroom Was Listening
The Seedpod That Fired Before Anyone Was Ready