Captured Tales

Guardian of the Fractal Grove

Bill Tiepelman0 comentários
Guardian of the Fractal Grove

O gambito da Rainha dos Dragões

O sol descia no horizonte, lançando luz dourada pelos galhos fractais do bosque místico. Não era o tipo de lugar em que se chegava por acidente — a menos que a pessoa estivesse espetacularmente perdida, como Elara quando aparecera ali cinco anos antes. Agora, ela não estava mais perdida. Não: era rainha. Bom, rainha autoproclamada. Mas rainha, ainda assim.

“Majestade, tem um pouco de baba de dragão na sua jaqueta”, disse uma voz grave e retumbante ao lado dela. Elara se virou para a origem do comentário, erguendo uma sobrancelha para Azuryn, seu fiel companheiro dragão. O focinho coberto de escamas de safira brilhava de maneira suspeita ao pôr do sol.

“Baba? Az, por favor. Isso se chama ‘orvalho divino de dragão’, e é a última tendência em acessórios reais. Se atualiza”, rebateu Elara, sacudindo a barra da jaqueta jeans com elegância exagerada. “Sinceramente, parece até que não te ensinei nada sobre alta-costura.”

Azuryn bufou, soltando pelas narinas uma espiral de fumaça. “Alta-costura? Você está usando um espartilho de renda e uma jaqueta que ‘pegou emprestada’ de um segurança de taverna.”

“Em primeiro lugar”, disse Elara, erguendo um dedo de unha bem-feita, “aquele segurança pediu por isso quando disse que eu não tinha aparência ‘régia’. Segundo, esta jaqueta tem personalidade. E terceiro…” Ela fez uma pausa, com um sorriso malicioso. “Se continuar falando, acrescento ‘enfeitar sua cauda com pedrinhas brilhantes’ à minha lista de afazeres.”

Azuryn rosnou baixo, mas havia um brilho divertido em seus olhos âmbar. “Está bem. Curvo-me ao seu julgamento superior, ó ilustre Rainha dos Dragões.”

O preço do poder

Elara cruzou os braços e se encostou no tronco espiralado da árvore mais próxima. Não era fácil ser a Rainha dos Dragões, sobretudo quando o título não trazia poder político algum, e os moradores ainda a consideravam “uma garota qualquer que apareceu com um dragão”. Claro, agora ela tinha magia — graças às estranhas frutas luminosas do bosque fractal —, mas magia não pagava impostos. E os aldeões não pareciam impressionados com sua capacidade de conjurar tempestades de fogo quando a despensa dela estava vazia.

“Acho que o conselho não vai levar a gente a sério, Az”, murmurou. “Ainda estão guardando rancor por causa do, hã… ‘incidente do frango chamuscado’.”

“Você quer dizer quando incendiou o banquete cerimonial deles porque me chamaram de ‘lagarto alado’?”, perguntou Azuryn, num tom entre divertido e exasperado. “Sejamos justos, foi um incêndio impressionante.”

Elara abriu um sorriso. “Obrigada. Também achei.” Chutou uma pedrinha solta, que saiu saltitando pelo bosque. “Mas é, diplomacia não é exatamente o meu forte. Preciso de uma nova abordagem. Algo que diga ‘rainha benevolente’, mas também ‘não mexam comigo ou meu dragão vai assar seus repolhos’.”

A visita inesperada

Antes que Azuryn pudesse responder, o ar do bosque tremeluziu, e uma figura emergiu das árvores. Era um homem alto, vestido com mantos escuros que pareciam absorver a luz do sol, e seu sorriso rivalizava com o de Elara em pura audácia.

“Ora, ora, se não é a infame Rainha dos Dragões”, disse o homem, com voz macia como seda. “Ouvi histórias sobre suas… façanhas. Frangos chamuscados, seguranças de taverna cobertos de pedrinhas brilhantes e tudo mais.”

Elara inclinou a cabeça, examinando-o. “Deixa eu adivinhar: estranho misterioso com um aviso enigmático ou só veio olhar meu dragão? De qualquer forma, é melhor ser rápido. Tenho assuntos reais para cuidar.”

O homem soltou uma risadinha sem calor algum. “Meu nome é Drenic, e represento o Conselho das Sombras. Estamos observando você, Elara.”

“Sinistro”, disse ela, impassível. “Vai direto ao ponto, Drenny.”

O sorriso de Drenic vacilou. “Você conquistou certa reputação, mas um poder como o seu é perigoso. Se não provar que é digna dele, o conselho vai tomá-lo — e levar seu dragão — à força.”

Elara sentiu uma centelha de calor se acender no peito. “Em primeiro lugar, Azuryn não é ‘meu’. É meu parceiro. Segundo, pode dizer aos seus amiguinhos sombrios do conselho que, se querem briga, é só virem buscar. Estou louca para testar meu novo feitiço de chicote de fogo.”

“Sem dúvida”, disse Drenic, desviando o olhar para Azuryn. “Mas será que seu parceiro consegue protegê-la de nós? Veremos.” Com isso, desapareceu nas sombras, deixando apenas um leve cheiro de ozônio queimado.

O gambito da rainha

Azuryn rosnou, e suas escamas brilharam mais intensamente. “Elara, isso é sério. O Conselho das Sombras não é brincadeira. Eles são perigosos.”

“Perigosos?” Elara bufou. “Az, a gente mora num bosque onde crescem fractais luminosos e maçãs mágicas. Já tive que enfrentar guaxinins encantados duas vezes esta semana. Perigo é só mais uma segunda-feira para mim.”

Ainda assim, não conseguia afastar a inquietação deixada pelas palavras de Drenic. Havia lutado demais para conquistar seu lugar ali — para provar que era mais do que uma garota perdida. Se o Conselho queria briga, teria. Mas não seria nos termos deles.

“Vamos mostrar a eles, Az”, disse, com fogo dançando nos olhos. “Não estamos mais apenas sobrevivendo. Estamos prosperando. E, se alguém tentar tirar isso da gente…” Estalou os dedos, conjurando uma pequena chama que pairou sobre sua palma. “Bom, digamos que espero que gostem de frango bem crocante.”

Azuryn soltou um ronco de aprovação. “Essa é a minha rainha.”

Enquanto os últimos raios de sol banhavam o bosque, Elara se manteve ereta, com o dragão ao lado, pronta para enfrentar qualquer sombra que ousasse desafiar seu reinado. Porque ela não era apenas uma rainha. Era a Rainha dos Dragões. E sempre jogava para vencer.

 


 

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