Captured Tales

Morning Symphony of the Tropics

Bill Tiepelman0 comentários
Morning Symphony of the Tropics

A floresta tropical despertava devagar, como um gato se espreguiçando numa faixa de sol. Feixes dourados atravessavam a copa densa, refletindo nas folhas encharcadas de orvalho e pintando a mata com uma luz suave e etérea. Em algum lugar ao longe, uma cachoeira borbulhava satisfeita, como se risse da própria piada. O ar estava quente e carregado do perfume de hibiscos em flor e musgo úmido, e a floresta inteira parecia vibrar com a energia preguiçosa de um novo dia.

Num galho baixo, curvado como as costas de uma rede cansada, estavam duas araras: Polly e Pico, os autoproclamados rei e rainha de seu domínio tropical. Polly, resplandecente em penas de vermelho intenso, verde e amarelo, era a mais teatral dos dois. Tinha talento para o drama e uma voz que podia chegar ao outro lado da floresta. Pico, por sua vez, era um cavalheiro de azul e dourado, com uma queda pelo sarcasmo e uma capacidade impressionante de parecer entediado mesmo nos momentos mais emocionantes.

“Polly, querida, acha que a floresta está ouvindo?”, perguntou Pico, arrastando as palavras enquanto ajeitava uma pena com o cuidado que se dedica ao polimento de uma joia rara. “Eu não gostaria de desperdiçar minha bela voz com ouvidos surdos.”

Polly lhe lançou um olhar que poderia derrubar um carvalho. “Pico, a floresta está sempre ouvindo. Ela é nossa plateia, nosso palco, nosso fã-clube fiel. Você só precisa aprender a sentir isso.” Abriu as asas para enfatizar, com a luz do sol captando cada pena como um caleidoscópio de fogo. “Agora, quieto. Está na hora do espetáculo da manhã!”

Pico suspirou dramaticamente. “Ah, que alegria. Mais uma oportunidade de me apresentar para os sapos, as cobras e aquele tucano suspeitosamente crítico. Meus sonhos se realizaram.”

O aquecimento da manhã

Com um floreio exagerado, Polly pigarreou — ou pelo menos produziu um som que, com muita boa vontade, poderia ser descrito assim. “Bom dia, meus companheiros da floresta!”, trinou, sua voz ecoando entre as árvores. “Bem-vindos a mais um glorioso dia no paraíso, oferecido por esta que vos fala, Polly, e meu relutante ajudante, Pico.”

“Ajudante?”, resmungou Pico baixinho. “Sou o motivo pelo qual este galho não quebra só com o peso do seu ego.”

Ignorando-o, Polly começou o que chamava orgulhosamente de sua “Serenata de Abertura”. Era uma mistura de grasnidos, piados e assobios que conseguia ser ao mesmo tempo surpreendente e estranhamente melódica. Ao fundo, uma família de macacos-prego interrompeu o furto matinal de bananas para aplaudir educadamente — embora um ou dois talvez estivessem atirando frutas. Polly não se importava. No mundo dela, atenção era atenção.

Pico esperou que ela terminasse a encenação antes de participar com um assobio grave e melodioso. Sua contribuição era mais suave, mais discreta, como o som de uma brisa fresca sussurrando entre bambus. A floresta pareceu se inclinar para ouvir, com o farfalhar das folhas e o canto distante das cigarras formando uma harmonia tranquila com sua melodia.

“Exibido”, sussurrou Polly, embora o tom revelasse uma ponta de admiração.

A controvérsia do amendoim

Depois da apresentação, Polly e Pico se entregaram ao ritual universal do café da manhã. Perto dali, um estoque de amendoins — cortesia de um botânico de passagem que subestimara tragicamente o talento das araras para o furto — aguardava a atenção deles. Polly foi a primeira a atacar, quebrando cascas com a precisão de um lapidador de diamantes.

“Sabe”, disse entre uma mordida e outra, “li em algum lugar que amendoim não é uma noz de verdade. É uma leguminosa.”

Pico ergueu uma sobrancelha, um feito impressionante para uma ave. “Ah, obrigado, Polly. Minha vida estava incompleta sem essa pepita essencial de conhecimento. De fato, falou a filósofa residente da floresta.”

“Não zombe de mim”, bufou Polly. “Estou instruindo você. Conhecimento é poder.”

“E, no entanto, cá estamos, brigando por leguminosas”, ironizou Pico, jogando uma casca por cima do ombro. Ela caiu sobre um lagarto que passava, e ele saiu correndo num gesto que só poderia ser descrito como indignação dramática.

Um momento zen

Quando os amendoins acabaram, as araras passaram ao segundo ato da rotina diária: tomar sol. O sol já estava mais alto, e seu calor parecia um cobertor macio estendido sobre a floresta. Polly e Pico se encostaram um no outro, suas penas cintilando como pedras preciosas polidas.

“Isto é que é vida”, suspirou Polly, agora com a voz mais suave. “Sem prazos, sem predadores, só sol e petiscos.”

Pico assentiu, satisfeito demais para ser sarcástico pela primeira vez. “Sabe, Polly, às vezes acho que você não é inteiramente insuportável.”

Polly soltou uma risada sonora e gutural. “E às vezes acho que você não é um completo estraga-prazeres. São momentos assim que me lembram por que eu aguento você.”

“Ah, o maior dos elogios”, murmurou Pico. “Estou verdadeiramente honrado.”

As provocações deram lugar a um silêncio de cumplicidade, daqueles que só surgem depois de anos de travessuras compartilhadas e compreensão mútua. Ao redor, a floresta pulsava de vida: a algazarra dos macacos, o chamado distante de uma onça-pintada, o murmúrio tranquilizador da cachoeira. Era caos e serenidade, tudo junto. E, no meio de tudo, Polly e Pico estavam ali, duas pequenas explosões de cor num mar verde sem fim, em perfeita paz.

O grande final

Quando o sol subiu ainda mais, Polly esticou as asas e saltou para a ponta do galho. “Vamos, Pico. Vamos dar a eles um último espetáculo antes da sesta.”

Pico gemeu, mas a seguiu. Juntos, levantaram voo, suas asas cortando o ar com um som de segredos sussurrados. Circularam a copa da floresta, passando entre as árvores numa dança graciosa que era, em igual medida, apresentação e brincadeira. Lá embaixo, os habitantes da mata pararam para assistir, seus olhos refletindo as cores vibrantes das penas das araras.

Quando finalmente pousaram de volta no galho, Polly estufou o peito, triunfante. “Mais uma obra-prima”, declarou. “Vão falar desta manhã por semanas.”

“Se por ‘falar’ você quer dizer ‘tentar esquecer’, então sim, com certeza”, disse Pico, embora sem a mordacidade habitual. Ele sorria, à sua maneira sutil de ave.

Enquanto a floresta se acomodava no abraço quente do meio-dia, Polly e Pico se encostaram um no outro mais uma vez, suas penas reluzindo ao sol. Fora uma boa manhã: uma sinfonia de cor, som e a dose certa de caos. E, enquanto mergulhavam num cochilo feliz, a floresta cantarolava junto, embalando suas estrelas emplumadas nos braços de sua melodia eterna.

 


 

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