Era para ser uma noite tranquila na Mansão dos Ratos. A lua estava alta, a cama era macia e os pijamas, confortáveis. Mas, claro, é sempre nessa hora que os problemas começam. Squeak e Squabble, dois ratinhos com mais energia do que juízo, não eram do tipo que encerrava o dia só porque o relógio marcava meia-noite. Ah, não: tinham uma ideia melhor.
“Aposto cinco sementes de girassol que arranco seu rabo com este travesseiro”, declarou Squeak, já segurando a almofada como uma arma de destruição em massa. O pijama de listras azuis lhe dava um ar inocente — uma ameaça minúscula e adorável, pronta para arruinar o sono de alguém.
Squabble, que nunca fugia de um desafio — nem de uma péssima ideia —, sorriu em seu pijama rosa, dois números menor graças ao impressionante consumo de queijo. “Vem pra cima, seu cocozinho peludo”, guinchou, agarrando o travesseiro com a determinação de uma rata prestes a fazer escolhas de vida terríveis.
O primeiro golpe foi leve: uma tentativa mais de brincadeira do que de guerra. Algumas penas escaparam e flutuaram preguiçosamente pelo ar. Mas, no calor do momento, a coisa escalou. Depressa. “Você bate feito um gerbil!”, gritou Squeak, desviando de um travesseiro que teria arrancado seus bigodes se o acertasse.
“Ah, é? Pois seu rabo parece um limpador de cachimbo mastigado!”, retrucou Squabble, lançando o travesseiro com a precisão de quem passara tempo demais treinando exatamente para aquele momento. Acertou em cheio, bem nos bigodes. Penas explodiram no ar como pipoca num filme ruim.
O quarto virou um campo de batalha. Travesseiros voavam, penas enchiam o ar numa espécie de nevasca bizarra, e os insultos eram arremessados tão imprudentemente quanto as almofadas. “Você não acertaria um celeiro nem estando dentro dele!”, provocou Squeak, jogando o travesseiro com toda a graça de um hamster bêbado.
A resposta de Squabble? “Pelo menos não tenho medo do aspirador de pó, seu fracote!” O quarto mergulhou no caos enquanto os ratinhos, agora totalmente comprometidos, se golpeavam com cada grama de fúria minúscula e adorável que conseguiam reunir.
O luar atravessava as cortinas, iluminando a carnificina. Penas grudavam no pelo, fazendo-os parecer pequenos querubins enlouquecidos depois de uma convenção de anjos especialmente bagunçada. Ambos estavam ofegantes, sorridentes e cobertos de penugem. A cama era uma zona de desastre.
“Trégua?”, perguntou Squeak, erguendo uma pata, com o travesseiro mole e murcho, àquela altura mais um saco de penas do que uma arma.
“Só se admitir que perdeu”, disse Squabble, tirando uma pena do nariz.
“Está bem, está bem. Perdi… para uma rata com coxas capazes de esmagar uma noz.” Um sorriso travesso se abriu no rosto de Squeak. “Mas ainda vou ser eu a roubar o último pedaço de cheddar da geladeira esta noite.”
Squabble guinchou de indignação. “Só por cima do meu cadáver, cara de bigode!”
E, com isso, a batalha recomeçou.
Pandemônio na festa do pijama
Enquanto isso, do outro lado do corredor, outros dois ratinhos — Knuckles e Nibbles — estavam prestes a viver seu próprio desastre noturno. Knuckles, usando um pijama que parecia feito do guarda-roupa de um marinheiro aposentado, estava de pé na cama, com um travesseiro na mão, olhando para Nibbles, que tentava dormir em paz.
“Ei, Nibbles… está acordado?”, perguntou Knuckles, mal contendo a animação. Nibbles, enroscado em seu próprio pijama rosa e felpudo, entreabriu um olho.
“Knuckles, são umas duas da manhã. Vai embora. Estou sonhando com queijo.”
“Mas podíamos fazer uma guerra de travesseiros”, sugeriu Knuckles com um sorriso que deixava claro que estava mais avisando do que perguntando. Antes que Nibbles pudesse responder — ou escapar —, Knuckles golpeou com o travesseiro como se ele lhe devesse dinheiro. Penas explodiram, e o sono tranquilo de Nibbles se estilhaçou como um copo de leite derrubado.
“Seu monte de bosta de rato!”, gritou Nibbles, procurando um travesseiro para revidar. “Você vai se arrepender, sua bola de fiapos infestada de pulgas!”
E assim começou a segunda grande guerra de travesseiros de ratos daquela noite. Penas voaram, insultos foram trocados e logo os dois estavam tão enroscados em cobertas e travesseiros que mal sabiam onde terminava a cama e começava a briga.
Em certo momento, Nibbles conseguiu levar a melhor — ou a melhor pata — e prendeu Knuckles debaixo de uma pilha de travesseiros. “Vou sufocar você com esta almofada, e nenhum júri de ratos vai me condenar!”, gargalhou.
“Faça o pior que puder! Pelo menos não vou mais ter que ouvir seu ronco!”, respondeu Knuckles, ofegante sob a pilha, embora fosse difícil dizer se ria ou realmente tentava respirar.
Quando a aurora começou a entrar pelas janelas, as duas duplas estavam exaustas, deitadas em suas respectivas camas, cercadas pelos destroços de uma noite de guerra ridícula. Penas flutuavam no ar como lembranças de batalhas perdidas e vencidas.
“Precisamos mesmo começar a dormir mais cedo”, murmurou Squeak, enquanto Squabble tirava uma pena de sua orelha.
“É”, concordou ela. “Mas seria muito sem graça, não seria?”
E assim os ratinhos da Mansão dos Ratos mergulharam naquele sono que só quem está plenamente satisfeito com o caos consegue apreciar, sonhando com queijo, travesseiros e a próxima oportunidade de arruinar uma noite de descanso perfeitamente boa.
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