Num canto distante da floresta encantada, onde as árvores sussurravam segredos e as abóboras cresciam redondas um pouco além da perfeição, viviam dois gnomos. Chamavam-se Hazel e Gourd e, embora combinassem tão pouco quanto uma fantasia de Halloween comprada na liquidação, sua história de amor tinha um encanto peculiar — bem como eles.
Gourd, como o nome sugeria, era obcecado por abóboras. Obcecado talvez fosse até pouco. O gnomo tinha todo um sistema para cultivar as abóboras mais redondas, mais alaranjadas e mais perfeitamente simétricas da floresta inteira. Sua plantação era assunto na comunidade do bosque, atraindo até a admiração ocasional de fadas de passagem, que não resistiam a tirar uma foto (ou fazer uma pintura, já que as fadas eram tradicionais assim). Gourd amava suas abóboras quase tanto quanto amava Hazel.
Hazel, por outro lado, era um pouco mais... imprevisível. Se Gourd era uma lanterna de abóbora perfeitamente esculpida, Hazel era a abóbora que caíra, quicara algumas vezes e rolara para os arbustos. No melhor sentido, é claro. Era espontânea, divertida e tinha o hábito de criar as invenções mais bizarras de Halloween. Sopa de abóbora com especiarias e um toque de pimenta-fantasma? Claro. Asas de morcego caramelizadas? Por que não? Fazia até chapéus de bruxa em tamanho de gnomo com sobras de abóbora. Para Hazel, a vida era curta demais para não abraçar o caos.
O grande pedido da abóbora
Era Halloween, naturalmente, a noite em que a floresta encantada ganhava vida com abóboras luminosas, fadas travessas e a sensação geral de que tudo podia acontecer. Gourd passara semanas preparando a plantação para a ocasião, aperfeiçoando cada abóbora com a dedicação de um escultor lapidando sua obra-prima. Aquela noite não era um Halloween qualquer. Naquela noite, Gourd pediria Hazel em casamento. Talvez você esteja pensando: “Um pedido numa plantação de abóboras? Não é um pouco... básico?” E teria razão. Mas Gourd não tinha nada de básico quando se tratava de seu amor por abóboras. Aquele pedido não seria apenas um jantar à luz de velas ao lado de uma lanterna de Halloween. Ah, não. Ele tinha um plano. Um grandioso.
Mais cedo naquele dia, Gourd passara horas esculpindo a abóbora mais impressionante da plantação. Era enorme — tão grande, na verdade, que Hazel questionara se ainda podia ser legalmente considerada uma abóbora ou se já era algum tipo de monstro laranja atarracado. Ela não sabia que dentro da abóbora estava o anel — guardado num compartimento minúsculo que Gourd esculpira sozinho. Naquela noite, enquanto passeassem pela plantação luminosa, ele a levaria até a abóbora especial e faria a pergunta. Mas, como em tudo que envolvia Hazel, nada saía conforme o planejado.
Uma reviravolta assustadora
“Sabe”, disse Hazel com um sorriso brincalhão, enquanto caminhavam de mãos dadas pela plantação naquela noite, “você devia mesmo deixar algumas dessas abóboras terem rostos. Ficam aí, encarando a noite sem expressão. É assustador.” Gourd riu. “Estas são abóboras sérias , Hazel. Não dá para sair esculpindo rostos em tudo, sabe?” “Ah, não dá?”, desafiou Hazel, com os olhos brilhando de travessura. Foi quando Gourd soube que estava encrencado. Antes que pudesse protestar, Hazel correu à frente e pegou do chão uma abóbora pequena e aparentemente inofensiva. Tirou do cinto uma faquinha de entalhar — Hazel sempre carregava ferramentas aleatórias por motivos que Gourd nunca entendia bem — e começou a desenhar um rosto na superfície.
“Hazel, espera! Essa é...”, começou Gourd, mas era tarde demais. Assim que Hazel terminou de esculpir a abóbora, os olhos dela começaram a brilhar num laranja profundo e sinistro. A abóbora tremeu em suas mãos e soltou uma gargalhada longa e rouca. “Ah, não”, murmurou Gourd, massageando as têmporas. “Essa era uma das abóboras amaldiçoadas, não era?” “Amaldiçoadas?”, perguntou Hazel, o rosto se iluminando de empolgação. “Você não me disse que havia abóboras amaldiçoadas! Isso é incrível!” Antes que Gourd pudesse explicar, a abóbora saltou das mãos de Hazel e começou a quicar pela plantação, gargalhando como uma pequena maníaca. Atravessava as fileiras e derrubava abóboras como pinos de boliche.
“Parem essa coisa!”, gritou Gourd, mas era tarde demais. A abóbora amaldiçoada bateu direto na abóbora gigante do pedido de casamento. Com uma baforada dramática de fumaça, a enorme abóbora se partiu ao meio, revelando o pequeno compartimento esculpido e, para o horror de Gourd, o anel, agora no meio do caos como a pista mais óbvia do mundo.
O pedido-surpresa
Hazel arfou, arregalando os olhos ao avistar o anel. “Isso é... espera, você vai...?” Gourd, vendo que o plano estava completamente arruinado, suspirou profundamente e se ajoelhou em meio à carnificina de abóboras. “Hazel”, começou, parecendo mais derrotado do que romântico, “quer se casar comigo?” Houve uma longa pausa. Hazel piscou. Então, lentamente, um sorriso se espalhou pelo rosto. “Claro que sim!”, exclamou, abraçando Gourd e derrubando-o de costas na polpa de abóbora. Por um momento, ficaram ali, enroscados em ramas e sementes, rindo do absurdo de tudo. A abóbora amaldiçoada, aparentemente satisfeita consigo mesma, saiu saltando pela noite, ainda gargalhando.
Felizes para sempre — ao estilo abóbora
Mais tarde, sentados juntos sob as luzes cintilantes da floresta, Hazel admirava o anel no dedo. “Sabe”, disse, sorrindo de lado, “acho que a abóbora amaldiçoada acrescentou alguma coisa ao pedido. Deu um pouco de... tempero.” Gourd, ainda tirando sementes da barba, revirou os olhos. “Juro, só você para encontrar um lado bom numa abóbora amaldiçoada arruinando meu grande momento.” “Ah, qual é”, provocou Hazel, cutucando-o de brincadeira. “Foi perfeito, e você sabe. Afinal, quem mais pode dizer que recebeu um pedido de casamento de um gnomo que cultiva as melhores abóboras da floresta inteira?”
Gourd riu, puxando-a para perto. “Acho que tem razão. Mas, da próxima vez, vamos tentar deixar as abóboras amaldiçoadas de fora.” Hazel sorriu. “Não prometo nada.” E assim, sob o brilho da plantação e as luzes cintilantes da floresta encantada, Hazel e Gourd começaram seu felizes para sempre — com abóboras, maldições e todas as peculiaridades que tornavam sua história de amor inesquecível. Porque, afinal, o que é o amor sem um pouco de magia... e alguns desastres envolvendo abóboras? 

The Snail Who Looked Twice at Trouble
The Gnome Who Swore the Mushroom Was Listening
The Seedpod That Fired Before Anyone Was Ready