Nas profundezas do bosque gelado, onde a neve se acumula mais alto que uma má decisão na noite de Ano-Novo, vivia uma criatura lendária — ou talvez infame. Não era uma fadinha doce qualquer, com coroa de flores e inocência de olhos meigos. Não, era The Black Cat Fairy of Winter, e ela estava ali para tocar o terror, espalhar glitter e beber gemada batizada — embora nem sempre nessa ordem.
A Fada Gata Negra, ou “Kat”, como gostava de ser chamada, tinha uma reputação. Suas asas eram tão escuras e cintilantes quanto uma mensagem enviada durante um apagão alcoólico, e sua cauda felina balançava como se estivesse eternamente irritada com todos — porque estava. Seu guarda-roupa? Uma mistura de renda gótica, meias até as coxas e um espartilho tão apertado que parecia lhe dever dinheiro. Mas Kat não ligava para recato. Afinal, como gostava de dizer: “Se tem, mostre — principalmente se deixar os elfos constrangidos.”
Uma nevasca de problemas
Em uma noite glacial, enquanto flocos de neve beijavam os topos das coníferas e o vento uivava como uma banshee de ressaca, Kat estava sentada em um tronco congelado, bebendo de uma caneca fumegante. Na caneca se lia: “A Fada Mais Atrevida do Mundo”. Dentro? Uma mistura suspeitamente potente de chocolate quente, Bailey’s e algo que queimava como arrependimento.
“Ah, o inverno”, ronronou Kat, com a cauda se enrolando preguiçosamente atrás dela. “A época do ano em que as pessoas fingem gostar dos parentes e choram por promessas fracassadas.” Suspirou dramaticamente e tomou outro gole. Foi então que o silêncio da floresta foi interrompido pelo ranger de botas na neve. Um grupo de viajantes entrara em seus domínios.
Kat se animou, estreitando os olhos com alegria predatória. “Ora, ora, ora, se não é meu tipo preferido de idiota — gente perdida na trilha.”
Saindo das sombras como uma mistura de deusa sedutora e reclamação ambulante ao RH, Kat entrou no caminho, com as asas cintilando ao luar. Os viajantes congelaram. Um deles — um homem corpulento com uma barba que parecia ter crescido por pura implicância — piscou e gaguejou: “Ah... você é... é de verdade?”
Kat abriu um sorriso enviesado. “Tão real quanto seu histórico de navegação, grandão.”
O acordo travesso da fada
O grupo trocou olhares nervosos. Já ouvira histórias sobre a Fada Gata Negra, embora a maioria fossem relatos de bêbados em tavernas sobre pessoas que voltavam da floresta sem carteira, calças e, às vezes, dignidade.
“Só estamos tentando encontrar a estrada principal”, disse uma mulher baixinha, segurando um mapa que parecia ter sido impresso da internet em 2003. “Você... sabe o caminho?”
Kat tocou o queixo, fingindo pensar. “Hmm, eu poderia ajudar... mas onde estaria a graça? Não, não. Vamos brincar de um joguinho.”
Os caminhantes gemeram em uníssono. Jogos com Kat nunca terminavam bem. Mas era participar ou arriscar vagar pelo bosque até virarem versões de picolé de si mesmos.
“Muito bem”, disse Kat, batendo as mãos enluvadas. “O acordo é o seguinte. Se responderem a três enigmas, eu os levo à estrada. Se falharem...” Deixou a frase no ar, alargando o sorriso. “Bem, digamos que sairão da floresta com menos meias e mais arrependimentos.”
A prova dos enigmas
O primeiro enigma era bastante simples: “O que tem cauda, não tem pernas e adora travessuras?”
“Um gato!”, gritou um dos caminhantes, parecendo orgulhoso demais de si.
Kat ergueu uma sobrancelha. “Claro, vamos aceitar. Um ponto para vocês.”
O segundo enigma era mais complicado: “Sou frio, sou duro e fico no seu caminho — o que sou?”
Os caminhantes discutiram por um instante, até a mulher baixinha gritar: “Gelo!”
A cauda de Kat balançou. “Ora, que esperta! Duas de duas.”
Mas o terceiro enigma? Ah, esse ela não facilitaria. “Sou sombria, sou temperamental e arruíno seu dia se você me contrariar. O que sou?”
O silêncio caiu sobre o grupo. Sussurraram entre si, sugerindo respostas como “uma tempestade” ou “um lobo”. Por fim, o homem corpulento avançou e, com um sorriso sem graça, disse: “Ah... você?”
Kat piscou e caiu na gargalhada — tão alta que assustou um esquilo, fazendo-o cair de uma árvore próxima. “Isso mesmo, caramba, sou eu!” Deu-lhe um tapa no ombro, quase o derrubando. “Parabéns, sacos de carne. Vocês ganharam.”
O caminho adiante
Fiel à palavra — algo que não acontecia com frequência —, Kat guiou o grupo até a estrada principal. Mas não antes de surrupiar a última barrinha de cereal de uma das mochilas e dar um tapa no traseiro da mulher baixinha só para completar.
“Lembrem-se”, gritou Kat enquanto eles se afastavam com passos pesados, “da próxima vez que vierem à minha floresta, tragam vinho e petiscos. Ou nem venham.”
Quando os caminhantes desapareceram ao longe, Kat se encostou em uma árvore, tomando o resto do chocolate agora frio. “Ah, humanos”, murmurou. “Tão previsíveis. Tão divertidos.”
E assim a Fada Gata Negra do Inverno desapareceu na noite, deixando apenas pegadas tênues na neve e uma sensação persistente de travessura.
Diz a lenda que ela ainda percorre aquele bosque, esperando a próxima alma azarada cruzar seu caminho.
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