Captured Tales

The Kaleidoscope Elephant

Bill Tiepelman0 comentários
The Kaleidoscope Elephant

Num cantinho escondido da selva, muito além do alcance de qualquer mapa de safári, vivia Ellie — a elefanta mais extraordinária do mundo. Ela não era um paquiderme comum, de pele cinzenta e apaixonado por lama. Ah, não. Ellie era uma explosão de cores que caminhava e barritava. Sua pele era uma tela deslumbrante coberta de arabescos e padrões intrincados, e suas orelhas pareciam asas de borboleta que haviam escapado de um mural num café boêmio de sonho. Ela era, literalmente, a elefanta na sala que ninguém conseguia ignorar.

A transformação de Ellie começou numa tarde abafada, quando ela encontrou um canteiro diferente de tudo o que já tinha visto. Aquelas flores não eram comuns, veja bem. Cintilavam, mudavam de cor à luz do sol e, se alguém espirrasse sobre elas, soltavam nuvens de pó brilhante com as cores do arco-íris. Naturalmente, sendo uma elefanta eternamente curiosa (e um tanto desastrada), Ellie não resistiu a investigar. Cheirou uma flor com vontade e —ATCHIM!— saiu uma baforada colorida de magia que a cobriu da tromba ao rabo.

Quando a poeira baixou, Ellie já não era a elefanta cinzenta e sem adornos de instantes antes. Era uma vibrante obra-prima de cores psicodélicas e padrões sinuosos, com orelhas de asas de borboleta e desenhos semelhantes a mandalas que se espalhavam em espirais pela tromba e pela barriga. Ela piscou, surpresa, espiando seu novo reflexo, impossivelmente colorido, numa poça ali perto. “Bem”, disse para si, dando uma risadinha, “pelo menos nunca mais vou me perder!”

A notícia do novo visual de Ellie correu pela selva mais depressa que um macaco com um megafone. Logo se formou uma fila de animais só para vê-la. Gerald, a girafa, curvou o longo pescoço para olhar, com o queixo quase encostando no chão. “Você está… hum, colorida”, disse, tentando soar solidário apesar da inveja evidente. Ellie apenas agitou as orelhas deslumbrantes, parecidas com borboletas, e respondeu com um sorriso: “Querido, eu sei.”

É claro que ser a única elefanta caleidoscópica da selva tinha suas complicações. As borboletas viviam confundindo suas orelhas com flores, pousando nelas para descansar ou voando ao redor, formando uma nuvem caótica que ela precisava dispensar com educação. “Não, eu não sou uma floricultura!”, explicava pela centésima vez, abanando delicadamente a tromba para afastá-las. E, sempre que tentava cochilar em seu cantinho de sombra preferido, abria um olho e encontrava uma multidão de animais espiando atrás das árvores, incapazes de resistir ao espetáculo.

Com o passar dos dias, Ellie começou a perceber que talvez pudesse dar alguma utilidade ao novo visual. Ficara tão famosa na selva que animais vinham de quilômetros de distância só para vê-la de relance. Então, com um brilho travesso nos olhos, bolou um plano: o primeiro Espetáculo de Dança da Elefanta Caleidoscópicada selva.

Na noite da grande estreia, animais de todas as formas e tamanhos se reuniram numa clareira. Macacos chegaram balançando nos cipós com seus lanchinhos de banana, papagaios pousaram nos galhos acima e até os crocodilos, geralmente rabugentos, se acomodaram por perto à espera do espetáculo. Ellie assumiu o centro do palco, ergueu a tromba e bateu as orelhas ao ritmo da noite na selva. Suas orelhas vibrantes lançavam ondas de cor pelo ar, e seus arabescos e padrões criavam formas hipnóticas sob o luar.

Sem conseguir resistir, as borboletas se juntaram à apresentação como dançarinas de apoio, girando ao redor dela numa nuvem de cores. As flores nos arbustos próximos aplaudiam com seu farfalhar delicado, e alguns vaga-lumes apareceram para dar um brilho extra à cena. Ellie girou, rebolou e até arriscou uma piruetinha desajeitada (uma proeza difícil para uma elefanta), e a plateia explodiu em risadas e aplausos.

Depois daquela noite, Ellie se tornou a artista mais querida da selva. Fazia apresentações semanais, transformando sua aparência exuberante numa forma de arte que levava alegria e risadas a todos que a viam. Animais viajavam de todos os cantos da selva para assistir à lendária Elefanta Caleidoscópica, e Ellie nunca decepcionava. A cada espetáculo, tentava algo novo — talvez um pouco de malabarismo com a tromba ou um salto dramático através de uma cachoeira (seguido por um banho hilariante que encharcava os fãs da primeira fila).

E, se um dia você se aventurar longe o bastante na selva, logo depois da última trilha turística, talvez tenha a sorte de avistar Ellie, a Elefanta Caleidoscópica. Sob o brilho suave do pôr do sol, ela vai piscar e rodopiar, apresentando sua dança gloriosa e engraçada, levando cor, risadas e um pouco de magia ao seu cantinho do mundo, uma batida de orelha de cada vez.

Afinal, por que ser comum quando você pode ser um caleidoscópio?

 


 

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