Captured Tales

The Mush-room for Debate

In Mossbottom, Bramble believes mushrooms belong in nearly everything; Gilda believes supper should leave room for other ingredients—and her mushroom-free tea. Their latest debate grows into a shared meal that proves a good menu, like a good partnership, needs choices.Meet two stubborn gnomes, one giant scarlet mushroom, and an affectionate argument about cooking in this humorous Echoterra tale.

Bill Tiepelman2 comentários
Gilda and Bramble, an adult gnome couple, debate their mushroom-heavy supper beneath a giant scarlet mushroom in the vivid forests of Echoterra.

Havia paz na floresta. Bem, havia existido paz na floresta até Gilda e Bramble começarem — de novo.

“Pela última vez, Bramble”, bufou Gilda, com os braços tão apertadamente cruzados que até as flores silvestres de sua coroa pareciam nervosas, “você não pode colocar cogumelos em tudo! Isto não é um bistrô gourmet de ingredientes colhidos na floresta. Não me interessa o que ouviu dos esquilos!”

Diante dela, Bramble, sempre otimista (ou assim se intitulava — Gilda tinha outros nomes para isso), sorria por trás da barba espessa. Seu chapéu enorme pendia para um lado, enfeitado com mais flores e cogumelos do que qualquer gnomo que se respeitasse deveria usar. “Ora, ora”, disse, erguendo um dedo como se fosse transmitir uma sabedoria ancestral. “Você não está dando o devido valor a estas belezinhas. Os cogumelos são a base de toda genialidade culinária. Sem eles...”

“Estaríamos comendo algo que não tem gosto de terra”, interrompeu Gilda, as bochechas adquirindo um rosa mais intenso. “Você colocou cogumelos na sopa, no ensopado, até tentou enfiá-los no meu chá! Se eu quisesse que tudo tivesse gosto de sola de sapato, eu...”

“Espera, espera, espera!”, interrompeu Bramble, com os olhos brilhando de travessura. “Como sabe qual é o gosto da sola do seu sapato? Andou mordiscando as botas de novo, hein? Eu disse, Gilda, tem petiscos mais gostosos por aqui, e adivinha? São cogumelos!”

Gilda o encarou, impassível. “Você ainda me mata, Bramble. Ou, pelo menos, mata meu apetite.” Virou-se e apontou para a floresta ao redor. “Existem milhares de outros ingredientes nesta floresta inteira . Frutinhas, ervas, castanhas... Ora, até vi um cervo outro dia...”

“Ahá!”, exclamou Bramble, agitando o dedo. “Olha só quem está pensando em comer o Bambi agora. E chamou a mim de bárbaro.” Mostrou a língua, claramente se divertindo muito mais do que devia.

“O cervo está fora do cardápio, obviamente”, respondeu Gilda, suspirando. “Mas temos opções, Bramble! Você não precisa fazer de cada refeição um festival de cogumelos.”

Bramble se inclinou, estreitando os olhos numa suspeita fingida. “Me diga uma coisa, Gilda. Por que essa súbita campanha contra os fungos? O que os cogumelos fizeram a você? Algum a ofendeu enquanto dormia? Será que —oh!—tocou na sua coroa de flores?”

Gilda ergueu as mãos, exasperada. “Não precisam fazer nada! É só bom senso não basear toda a alimentação numa coisa que cresce no escuro e cheira a... decomposição!” Olhou para os cogumelos ao redor, cujos chapéus brilhavam com o orvalho da manhã. Agora pareciam provocá-la, todos enraizados ali com ar convencido, os melhores aliados de Bramble.

“Ah, é aí que você se engana”, disse Bramble, erguendo o dedo em triunfo. “Cogumelos são versáteis, robustos e bastante elegantes, se me permite dizer.” Ajeitou o pequeno cogumelo que crescia em seu chapéu para enfatizar. “Combinam com tudo. Olhe esta beleza!” Apontou para o cogumelo enorme atrás de si, cujo chapéu vermelho-vivo pairava sobre os dois como um guarda-chuva. “Está me dizendo que não gostaria disso na sua sala? Decorativo e delicioso!”

“Bramble, se colocar isso dentro de casa, juro que eu mesma boto fogo nela. E aí vamos morar onde? Embaixo de outro cogumelo?”, retrucou Gilda.

Bramble coçou a barba, fingindo ponderar. “Hum... ouvi dizer que são bem espaçosos se escavar o interior. Até aconchegantes. Pode ser o começo de uma tendência: moradia em cogumelos, ecológica e eficiente!” Ergueu as sobrancelhas como se fosse um gênio revolucionário. “Além disso, pense na praticidade: se tiver fome no meio da noite, é só mordiscar a parede!”

Gilda gemeu, passando a mão pelo rosto. “A única coisa que vou mordiscar é meu último restinho de sanidade.” Virou-se, resmungando para si. “Devia ter me casado com aquele espírito do bosque. Pelo menos sabia cozinhar alguma coisa além de fungo.”

Bramble, sem se deixar abalar, chegou ao lado dela, ainda sorrindo. “Ora, meu amor. Não seja tão azeda. Cogumelos fazem bem! Cheios de fibras, antioxidantes e um pouco de mistério terroso. Além disso, sem eles, do que reclamaria? Estou fazendo um favor, na verdade.”

Gilda lançou um olhar capaz de congelar lava. “Ah, acredite, eu encontraria alguma coisa. Você é uma fonte inesgotável de reclamações.”

O sorriso de Bramble só aumentou. “Esse é o espírito! Viu? Por isso formamos uma equipe tão boa. Você mantém meus pés no chão, e eu mantenho você na ponta dos pés. Ou pelo menos com os pés afundados em cogumelos.”

Gilda revirou os olhos, mas não conseguiu impedir um pequeno sorriso nos lábios. “Se sequer pensar em colocar cogumelos na sobremesa hoje, mando você para o galpão. Para sempre.”

“Está bem, está bem. Nada de cogumelos na sobremesa... desta vez”, cedeu Bramble, ainda com uma expressão alegre demais para o gosto dela.

Enquanto voltavam para a casa aconchegante entre as árvores, Bramble cantarolava uma melodia alegre, enquanto Gilda murmurava algo sobre “mais um cogumelo e vou morar no canteiro de frutinhas”.

O sol começou a se pôr, lançando um brilho dourado pela floresta, e os cogumelos ao redor cintilaram na luz suave. Teria sido um momento pacífico, até sereno — se não fosse pela súbita exclamação de Bramble.

“Ah! Espera! E se fizéssemos geleia sabor cogumelo? Seria revolucionário! Doce, salgada, uma verdadeira fusão de...”

“BRAMBLE!”

E assim continuou o grande debate dos cogumelos, tão eterno quanto o amor dos dois e igualmente frustrante.

 


 

Comentários

2 comentários

Oh, they’re the cutest little couple. I will love him to death. And you can tell they just love each other. Thank you for the story

Teri Muniz

That was adorable. ❤️

Betty Stanek

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