No coração do jardim encantado, enquanto as últimas estrelas do ano cintilavam no céu de veludo, a Fada Caracol emergiu de sua rosa dourada. Seu nome era Spirabella, embora quase todos a chamassem apenas de Bella, e ela era a rainha do atrevimento, do charme e das travessuras madrugada adentro. Como guardiã de tudo que era fantasioso, Bella tinha uma missão a cada véspera de Ano-Novo: garantir uma comemoração lendária.
“Muito bem, meus amores”, cantarolou, afofando as antenas peludas no reflexo de uma gota de orvalho. “É hora de festejar, e por festejar quero dizer caos absoluto embrulhado em glitter.”
Sua pequena concha espiral reluzia ao luar, um redemoinho cósmico que brilhava como um globo de discoteca. Com um aceno dramático da patinha, Bella convocou sua comitiva: o DJ Vaga-Lume, o Mestre dos Coquetéis de Teia de Aranha e, é claro, os Cogumelos Dançarinos, que sempre chegavam com um atraso elegante.
As criaturas encantadas do jardim se reuniram sob a copa ampla de um carvalho antigo, coberta de hera luminosa para a ocasião. Todos sabiam que Bella dava as melhores festas — afinal, inventara a bolha mágica de champanhe que nunca estourava (e sempre se enchia sozinha). As lendas sussurravam que até os Espíritos do Vento ficavam de ressaca depois de seus eventos.
Quando a confusão começou
Assim que a contagem regressiva começou, surgiu um rival. Era o próprio Ano-Novo, uma figura elegante e cintilante envolta em cipós prateados, irradiando pompa e um drama desnecessário. Entrou desfilando na festa, a concha espiral brilhando com o que Bella só podia supor ser glitter comprado em loja.
“Bella”, disse o Ano-Novo, com a voz pingando charme fingido, “suas festas são deliciosas, mas chegou a hora de algo... mais novo. Mais ousado. Um pouco menos ‘caracol peludo’ e um pouco mais ‘glamour cósmico’.”
Bella estreitou os olhos, apertando a taça de martíni com a pata. “Mais novo?”, sibilou. “Meu bem, eu comando este espetáculo desde antes de você ser um brilho no olho do Guardião do Tempo. Pode participar, mas não pense nem por um segundo que vai roubar meus holofotes.”
O Ano-Novo sorriu de lado, claramente sem se abalar. “Ah, Bella. O passado é tão... ano passado.”
A multidão arfou. Os pelos macios de Bella se eriçaram de indignação. Ela pousou a bebida, sua concha espiral brilhando mais a cada segundo. “Está bem, garoto glitter”, disse, com a voz afiada como espinho. “Que tal uma pequena competição? Vamos ver quem traz mais magia para este jardim.”
O duelo lendário
O desafio era simples: Bella e o Ano-Novo criariam, cada um, o espetáculo de virada mais deslumbrante. Fogos de artifício? Conferido. Tempestades de glitter? Óbvio. Um desfile de cogumelos voadores? Ah, a disputa estava valendo.
A torcida de Bella explodiu em vivas quando ela conjurou uma galáxia em espiral sobre o jardim, com as antenas crepitando de magia. Estrelas giravam em desenhos complexos, formando mensagens como “Ninguém supera a rainha dos caracóis”. Enquanto isso, o Ano-Novo contra-atacava com uma chuva cósmica de estrelas cadentes, cada uma explodindo em mil florzinhas ao tocar o chão.
As criaturas do jardim foram à loucura, dançando, rindo e bebericando as famigeradas bolhas de champanhe de Bella. Quando o relógio marcou meia-noite, o clamor da multidão chegou ao auge. Bella e o Ano-Novo estavam no centro do caos, as conchas luminosas irradiando pura magia. Por fim, caíram na gargalhada.
“Está bem, está bem”, admitiu o Ano-Novo, erguendo a taça. “Você é boa, Bella. Lendária, até.”
Bella sorriu de lado, estendendo a patinha peluda para um brinde. “Você também não é nada mau, querido. Mas não se acostume. Este jardim é meu.”
Depois da festa
Ao amanhecer, o jardim encantado estava coberto de poeira estelar, bolhas vazias de champanhe e alguns Cogumelos Dançarinos desmaiados. Bella assistia ao nascer do sol de sua rosa dourada, o corpinho brilhando de satisfação.
“Mais um ano, mais uma festa lendária”, suspirou, bebericando o último martíni. “Na mesma hora, ano que vem, meus amores.”
Enquanto desaparecia no horizonte, o Ano-Novo se virou e acenou, com um sorriso cúmplice. “Até a próxima, Bella.”
A Fada Caracol sorriu, as antenas tremelicando de travessura. “Ah, haverá uma próxima. E continuarei fabulosa.”
E assim a lenda de Bella e de suas aventuras atrevidas de Ano-Novo continuou, provando mais uma vez que, mesmo no mundo mágico, sempre há espaço para um pouco de caos, muito glitter e uma fada caracol fabulosa.
Leve Bella para casa: coleção Radiant Rose Dweller
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