Era uma vez, num deserto grande demais para suas botas, um gnomo chamado Grog Thistlebeard. Grog não era um gnomo de jardim qualquer, feliz em vigiar tulipas e acenar para borboletas. Ah, não — Grog tinha uma jaqueta de couro, uma motocicleta com pintura personalizada e uma tremenda sede de aventura.
Certa tarde, enquanto o sol se escondia atrás das dunas ondulantes, pintando o céu de laranja flamejante e roxo, Grog ajeitou o cinto, deu uma última enroladinha no bigode e acelerou sua máquina — uma motocicleta reluzente que chamava carinhosamente de “Lata-Velha”. De velha e enferrujada não tinha nada, mas Grog achava que o nome lhe dava personalidade. Sua missão? Pilotar das planícies arenosas de Cactusville até um lugar místico conhecido apenas como a Pedra Grande. Ninguém sabia bem o que era a Pedra Grande, mas Grog ouvira rumores de que se tratava de uma gigantesca roda de queijo deixada por um antigo clã de ratos do deserto.
A estrada menos cascalhada
Grog engatou a marcha e disparou pelo deserto, a barba ondulando atrás dele como uma bandeira selvagem. Os bichos do deserto — lagartos, lebres e plantas roladoras — observavam maravilhados o pequeno gnomo passar como um foguete. Mal atingira a velocidade máxima quando encontrou o primeiro obstáculo: um cacto. Não um cacto qualquer — aquele era grande, mal-encarado e tinha uma expressão carrancuda (ou assim Grog imaginava).
“Ei! Cuidado com esses espinhos, camarada!”, gritou Grog, desviando da fera espinhosa. “Quase arrancou minha barba inteira!”
O cacto não respondeu (como os cactos geralmente não respondem), mas permaneceu como um lembrete silencioso de que o deserto estava cheio de surpresas. Ao acelerar de novo, Grog resmungou: “Esse negócio de ‘vastos espaços abertos’ é um pouco superestimado, se quer saber.”
Um gnomo, um gavião e um chapéu emprestado
Cerca de uma hora depois do início da jornada, Grog percebeu uma sombra circulando acima. Era um gavião, e não parecia amigável. A ave, aparentemente intrigada com a moto brilhante e o chapéu carmesim, começou a voar cada vez mais baixo.
“Sai fora, cabeça de pena!”, gritou Grog, sacudindo o punho para o céu. Mas o gavião não se intimidou. Com um grito, mergulhou direto sobre ele. Num ato heroico de autopreservação, Grog tirou o chapéu e o lançou como isca. O gavião agarrou o chapéu e voou, deixando Grog a salvo, mas um tanto contrariado.
“Ótimo. Agora vou ser o único gnomo da região sem um chapéu pontudo decente”, resmungou, prometendo recuperá-lo na volta. “Ou encontrar um ainda mais pontudo. Um rebelde não segue regras de moda mesmo.”
O mistério da Pedra Grande
Quando o crepúsculo se assentou sobre o deserto, Grog avistou uma forma no horizonte. Era a Pedra Grande — ou, segundo os rumores, o Queijo Grande. Tomado por uma nova empolgação, levou Lata-Velha ao limite, a moto chacoalhando e rugindo pela areia.
Por fim, derrapou até parar diante do destino. Ali, erguendo-se magnificamente contra o céu crepuscular, estava a Pedra Grande. E Grog teve de admitir: ela de fato parecia um tanto… queijosa. “Será?”, sussurrou para si, lambendo os lábios numa expectativa esperançosa.
Descendo da moto, Grog caminhou até a rocha imensa, puxou sua fiel faca e fez um cauteloso teste de raspar e cheirar. Seu nariz se enrugou de decepção.
“Só uma pedra, nem um cheirinho de cheddar”, suspirou. “Malditas lendas do deserto. Eu devia saber.”
O retorno do chapéu pontudo
Enquanto se preparava para a longa viagem de volta, os olhos atentos de Grog notaram um brilho vermelho num braço de cacto ali perto. Lá estava — seu chapéu! O gavião aparentemente decidira que não era tão delicioso quanto parecia e o largara no caminho.
Sorrindo, Grog recuperou o chapéu, tirou a poeira e o colocou de novo na cabeça. “Ah, muito melhor”, disse, fazendo uma pose vitoriosa. “Agora vamos para casa contar à turma como enfrentei gaviões, cactos e a lendária Pedra Grande.”
De volta ao jardim (com algumas histórias aumentadas)
Quando Grog voltou a Cactusville, o deserto estava banhado pelo luar, e seus companheiros gnomos de jardim haviam se reunido para ouvir a história. Grog respirou fundo e começou a tecer um relato de perigo, aventura e bravura que ficava mais exagerado a cada palavra.
“…e foi então que o gavião mergulhou, com olhos como brasas, garras afiadas como dentes de dragão, e eu o arranquei do céu numa luta de mãos nuas!”, gabou-se. A plateia soltou exclamações de espanto, embora a maioria suspeitasse que as histórias de Grog eram tão reais quanto o Queijo Grande.
Mas isso não importava. Grog Thistlebeard era um pequeno rebelde num mundo imenso, e cada aventura — real ou ligeiramente enfeitada — era mais uma medalha de honra. Ao terminar o relato, Grog tocou a aba do chapéu e fez uma reverência, sentindo-se exatamente o herói que acreditava ser.
Fim (ou, como Grog diria, “Só o começo”)
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The Snail Who Looked Twice at Trouble
The Gnome Who Swore the Mushroom Was Listening
The Seedpod That Fired Before Anyone Was Ready