Captured Tales

Tranquil Toadstool Tavern

Bill Tiepelman0 comentários
Tranquil Toadstool Tavern

Bem no coração do Velho Bosque Widdershins, onde não havia sinal de celular e os cogumelos cresciam tanto que mereciam CEP próprio, existia um lugar que poucos humanos tinham visto. Não era um bar nem uma área de piquenique, mas algo muito mais misterioso e ligeiramente suspeito: a Taverna do Cogumelo Tranquilo.

Seu barman? Um gnomo chamado Garvin, embora os amigos o chamassem de “Garvin, o Casca-Grossa”, por sua tendência a distribuir conselhos não solicitados com a sutileza de uma marreta.

Garvin não gostava muito de aventureiros e gostava menos ainda de turistas que entravam na floresta atrás de “experiências autênticas com gnomos”. Já vira tantos caminhantes de camiseta neon cutucando musgo com paus de selfie que desenvolvera um tique permanente no olho. Por isso, nos raros dias em que um humano encontrava seu canto, Garvin normalmente se escondia nos arbustos. Mas naquele dia estava exausto.

Um gole de solidão

Usando seu chapéu favorito forrado de musgo (que também servia de camuflagem para cochilos), Garvin se acomodou no banquinho de cogumelo preferido, pegou sua Corona Extra e suspirou. Finalmente estava sozinho. Sem trolls inconvenientes vendendo “esculturas de pedra encantadas”. Sem elfos tocando alaúde e espalhando purpurina. Só ele, sua cerveja e o cheiro reconfortante do chão úmido da floresta.

“À paz e ao sossego”, murmurou, inclinando a Corona num brinde a absolutamente ninguém. A garrafa era quase tão alta quanto seu tronco, e ele precisava das duas mãos para mantê-la firme. Mas não se importava — era um pequeno preço pela tranquilidade.

Entra a companhia indesejada

Assim que tomou o primeiro gole refrescante, um farfalhar alto explodiu na vegetação. Ele cuspiu um bocado de cerveja. “Ah, pelo amor dos fungos. Um gnomo não pode ter um momento só para si?”

Uma esquila do tamanho de um gato doméstico grande — peluda, bem alimentada demais e de olhar carrancudo — se aproximou farejando o ar. Era Poppy, a praga não oficial da taverna e um tanto aproveitadora. Sempre sabia quando Garvin abria uma cerveja e ainda tinha a audácia de julgá-lo por isso.

“Não está meio cedo para isso?”, chiou ela, com o nariz tremendo de reprovação.

“São cinco da tarde em algum lugar”, rebateu Garvin, revirando os olhos. “Além disso, você não devia estar juntando bolotas ou fazendo sei lá o que vocês, roedores gigantes, fazem?”

“Em primeiro lugar, sou uma esquila, não uma roedora”, disse Poppy, erguendo-se nas patas traseiras, indignada. “Em segundo, tenho uma reputação a zelar. Não podemos deixar os humanos daqui acharem que todas as criaturas da floresta são bêbados preguiçosos.”

“Você está dando lição sobre reputação para mim ?”, zombou Garvin, apontando para a cintura crescente de Poppy. “Enfim, este é meu intervalo. Só eu, minha cerveja e absolutamente nenhuma conversa fiada.”

“Está se saindo muito bem nisso”, retrucou ela antes de sair correndo, ofendida.

A chegada dos frequentadores do cogumelo

Quando Garvin ergueu a garrafa de novo, o elenco habitual de desajustados da floresta apareceu. Primeiro veio Cedric, a raposa que se considerava sommelier, embora sua ideia de “vinho fino” fosse qualquer líquido que não o envenenasse de imediato. Depois chegou Elowen, a coruja que se convencera de que era poeta, apesar de seus únicos dois assuntos de especialidade serem a noite e os roedores.

“O que é isso, Garv? Corona de novo?”, perguntou Cedric com um sorriso irônico, farejando o ar. “Eu esperava que um gnomo vivido como você escolhesse algo mais refinado.”

“É um clássico!”, resmungou Garvin. “Nem todos nós nascemos com papilas gustativas capazes de detectar notas de carvalho e pretensão.”

“Você podia pelo menos espremer um limão aí, querido”, arrulhou Elowen, pousada num galho baixo, as penas farfalhando de diversão. “Um pouco de cítrico, um pouco de estilo, sabe?”

“Limão? Isto é cerveja, não um elixir de alquimista!”, grunhiu Garvin, tomando outro gole. “Além disso, não vejo nenhum de vocês trazendo algo para dividir.”

Os dois se entreolharam, um pouco constrangidos. Cedric murmurou alguma coisa sobre uma “escassez de vinho”, enquanto Elowen alegou estar “guardando a inspiração” para uma leitura naquela noite.

O coelho estraga-prazeres

Quando Garvin achava que seu sofrimento estava completo, apareceu mais uma figura: Bernie, o coelho. Autoproclamado treinador de saúde, a personalidade inteira de Bernie podia ser resumida em duas palavras: conselhos intrometidos.

“Garvin!” Bernie chegou aos saltos, horrorizado com a cerveja. “Você sabe que álcool faz mal, certo? Desidrata e envelhece.”

Garvin olhou para a garrafa e depois para Bernie, erguendo uma sobrancelha. “Bernie, eu tenho cento e cinquenta e sete anos e bebo desde antes de você ser um tufo de poeira. Acho que vou sobreviver.”

Bernie franziu a testa, mexendo o nariz com preocupação exagerada. “Talvez trocar por kombucha? Ouvi dizer que é a febre entre os influenciadores da floresta.”

Garvin lançou-lhe um olhar fulminante. “Vou deixar uma coisa clara, roedor de cenoura: não vou trocar por kombucha. Se quisesse beber água de pântano fermentada, visitaria a bruxa do brejo.”

“Você é quem sabe”, disse Bernie, dando de ombros e se afastando aos saltos com um ar de julgamento tão espesso que dava para cortar com faca de manteiga.

Um momento de paz (finalmente)

Por fim, os bichos se dispersaram, deixando Garvin sozinho mais uma vez. Ele tomou um último gole, saboreando-o e apreciando o sossego terroso que o envolvia. O brilho suave do sol atravessava as folhas, lançando uma luz quase mágica sobre o chão da floresta.

“Ahhh”, suspirou, satisfeito. “Nada como uma gelada e um pouco de silêncio.”

Então, de algum lugar da floresta, ouviu um farfalhar inconfundível, seguido de uma voz gritando: “Ei! Acho que vi um gnomo! Rápido, pega a câmera!”

Os olhos de Garvin se arregalaram enquanto ele puxava o chapéu sobre o rosto, murmurando: “Não. Chega. A floresta fechou. Todo mundo para casa.”

E, num movimento rápido, deslizou para trás do maior cogumelo, misturando-se perfeitamente à vegetação coberta de musgo, decidido a preservar sua paz — mesmo que precisasse brincar de esconde-esconde com todo invasor munido de pau de selfie até o inverno.

Em certos dias, ser gnomo não era fácil. Mas Garvin não trocaria seu cantinho do bosque por toda a kombucha do reino.

 


 

Leve um pouco da magia dos gnomos para casa

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Tranquil Toadstool Tavern Prints

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