Captured Tales

Nestled in a Rainbow's Embrace

Elara entra na floresta preparada para roubar um dragonzinho pela cura do irmão. Uma coberta de arco-íris, uma mãe vigilante e uma escama dada livremente a obrigam a encontrar outro caminho para casa. Um conto de Tiny Scales sobre misericórdia, honestidade difícil e cuidado sem barganha.

Bill Tiepelman0 comentários
Um dragonzinho rosa adormecido, aninhado em lã multicolorida numa cesta de vime sob o título Nestled in a Rainbow's Embrace.

A cor sob a porta

A tempestade passara havia horas, mas a floresta ainda tremia em sua esteira. A névoa se enrolava nos carvalhos, e o musgo encharcado engolia o som dos passos de Elara. Ela apertou o capuz carmesim. O mapa em sua mão virara uma disputa entre tinta e água. No centro, alguém desenhara um arco-íris.

“Um coração de fogo dorme sob ele”, dissera a velha da casa do pedágio. “Traga isso para mim, e seu irmão terá o que precisa.”

Elara perguntara se era uma pedra.

“Algo precioso.”

Aquilo não era resposta. Ela sabia agora. Sabia naquela hora também, mas seu irmão tremia tanto naquela manhã que a xícara batia nos dentes. O medo abria espaço para certas perguntas expulsando outras.

A curandeira da aldeia fora aos abrigos dos desabrigados pela enchente, além da ponte quebrada. Um mensageiro seguira pela estrada mais longa da crista para buscá-la. Poderia voltar pela manhã. Poderia se atrasar. A vizinha ficou ao lado da cama enquanto Elara procurava algo que pudesse fazer com as próprias mãos.

A mulher do pedágio lhe dera uma pequena poção para dormir, um segundo frasco rotulado veneno de dragão e instruções que pareciam menos tranquilizadoras a cada lembrança.

“Para dificuldades”, dissera a mulher, deslizando o frasco escuro pelo balcão.

Elara não perguntara de que tipo.

Agora as árvores se abriam ao redor das ruínas de uma antiga casa de tecelagem. A chaminé pendia. O telhado perdera uma discussão com uma faia. Ainda assim, havia luz sob a porta restante: vermelho, ouro, verde e um azul tão profundo que parecia impossível que o mesmo prédio gasto o contivesse.

Ela pisou na soleira.

Lá dentro, além do tear caído, um cesto de vime repousava sobre tábuas secas. Estava forrado com lã grossa e encaracolada em todas as cores do arco-íris. As fibras capturavam a última luz através do telhado quebrado, transformando fios comuns em pequenos rios de brilho.

No centro dormia um dragão.

Não uma fera grandiosa de um escudo ou de uma canção de advertência. Um dragonzinho rosa, não maior que um gato doméstico, enrolado do focinho à cauda. Escamas finas cobriam a testa. Chifres claros se erguiam acima dos olhos fechados. As asas alaranjadas se dobravam em arcos altos e delicados, e a ponta da cauda repousava sobre um tufo turquesa, como se alguém a tivesse arrumado com cuidado extraordinário.

Ele fez um pequeno som borbulhante enquanto dormia.

Elara ficou completamente imóvel.

Esperara um tesouro perigoso. Trouxera um saco para ele. Agora o saco pendia a seu lado com a simplicidade aterradora de um objeto que não entendia para que servia.

“Coração de Fogo”, sussurrou.

O dragonzinho enfiou o focinho mais fundo na lã amarela.

Seu irmão costumava dormir assim, afundando o rosto na coberta sempre que ela abria as venezianas. Mesmo agora, quase da altura dela, reclamava das manhãs como se ela as tivesse inventado pessoalmente.

Ela tirou a poção para dormir.

Ele já estava dormindo. Talvez o sono extra impedisse que sentisse medo. Talvez ela pudesse trazê-lo de volta depois que a mulher lhe desse a cura. Talvez muitas coisas pudessem parecer bondosas se ela evitasse dizer a palavra levar.

Afrouxou a rolha.

Uma tábua rangeu atrás do tear arruinado.

Elara ergueu o olhar para dois olhos dourados.

A mãe dragão preenchia o espaço entre a parede quebrada e o tronco da faia. Suas escamas de um rosa mais profundo estavam molhadas da tempestade. Uma asa se curvava protetoramente pela parte externa da casa, abrigando o piso que restara. Ela não aparecera de repente. Estivera ali enquanto Elara decidia que tipo de pessoa o desespero lhe permitia ser.

Um rosnado baixo percorreu as tábuas.

O pequeno dragão abriu um olho.

Olhou para Elara, para o frasco, depois para a mãe. A expressão sonolenta mudou. As duas asas se recolheram com força, e a cauda desapareceu sob a coberta.

Elara recolocou a rolha.

“Não dei nada a ele.”

“Eu sei”, disse a mãe.

A voz era tão baixa que Elara precisava prestar atenção. Aquilo era pior que um rugido.

“Coloque no chão.”

Elara pousou o frasco fechado no piso e se afastou do cesto. O dragonzinho se apertou contra a mandíbula abaixada da mãe. Ela não o moveu na direção de Elara. Acontecesse o que acontecesse em seguida, a pequena criatura teria um lugar seguro para ficar.

O que podia ser dado

“Há outro frasco”, disse a mãe.

A mão de Elara foi à bolsa na cintura.

Os olhos dourados se estreitaram.

“Devagar.”

Ela tirou o veneno de dragão. O rótulo descolara num canto. Por baixo, o vidro tinha a cor de fumaça velha.

“Ela disse que impediria um dragão.”

“Disse o que havia dentro?”

“Não.”

“Então você não sabe o que vai fazer.”

Elara o colocou ao lado do primeiro frasco. Os dedos tremiam. Carregara os dois pela chuva como se certeza pudesse ser comprada em vidro.

A mãe empurrou sobre eles um vaso de barro virado. Então encostou uma garra larga na borda.

“Eles ficam aí.”

Elara assentiu.

“Agora me diga por que veio.”

As palavras chegaram desordenadas. Seu irmão. A febre. A estrada inundada. A mulher do pedágio com suas gavetinhas e sua coleção de coisas que brilhavam. A promessa de uma cura se Elara trouxesse um Coração de Fogo.

“Achei que ela falasse de algo que você guardava.”

“E quando viu meu filho?”

Elara olhou para o cesto.

A cabeça do filhote reaparecera. Ele a observava por cima de uma crista de lã azul, com uma pata dianteira na borda de vime. O medo não desaparecera só porque ela começara a se arrepender de tê-lo causado.

“Comecei a inventar desculpas.”

A mãe deixou a resposta pairar.

Lá fora, a água pingava de uma calha quebrada. Em algum lugar sob o piso, um besouro raspava diligentemente um problema muito menor que o deles.

“Eu ia levar seu bebê embora”, disse Elara por fim. “Queria tanto que meu irmão vivesse que parei de pensar no que isso significaria para você.”

“Você pensou.”

Elara baixou os olhos.

“E continuou mesmo assim.”

Não havia crueldade na correção. Elara quase preferiria que houvesse. Era possível discutir com a raiva. A verdade simplesmente se sentava ao lado dela no aposento arruinado.

“Sim.”

O filhote fungou. Uma única faísca dourada escapou de seu nariz e morreu na tábua nua. Ele pareceu levemente ofendido com a interrupção.

“É por isso que ela o chama de Coração de Fogo?”, perguntou Elara.

“Ela dá às coisas o nome do preço que espera que alguém pague por elas.”

A mãe olhou para os frascos cobertos. “Ela já esteve na borda desta floresta antes.”

Agora Elara imaginava as prateleiras da mulher de outra maneira. Não curiosidades reunidas por uma colecionadora inofensiva. Trancas. Gaiolas. O espaço estreito sob o balcão onde alguma coisa arranhara enquanto conversavam.

“Ela tem uma cura?”

“Não sei.”

A resposta assustou Elara mais do que qualquer outra coisa que a dragão dissera. Queria que toda a jornada fosse um erro terrível com uma solução simples por trás. Em vez disso, seu irmão continuava doente, a curandeira ainda estava na estrada, e ela desperdiçara horas assustando uma criança.

Sentou-se no degrau mais baixo. A mãe permitiu. Água de chuva escorria da barra do manto.

“Então não tenho nada para levar para casa.”

O pequeno dragão fez um som interrogativo.

A mãe se virou. O filhote encontrara uma escama solta presa numa volta de lã verde. Cutucou a borda com uma garra, libertou-a e a ergueu contra a luz. Fina como uma pétala, brilhava suavemente entre seus dedos.

“Essa já caiu”, disse a mãe.

O bebê olhou de novo para Elara. Então empurrou a escama pela borda do cesto.

Ela não foi longe o suficiente e caiu nas tábuas com um leve clique.

Os dois dragões a observaram.

O filhote soltou um piado indignado, aparentemente insatisfeito com os limites da própria generosidade.

A mãe ergueu a escama e a colocou no degrau, entre ela e Elara.

“Ela guarda um pouco do nosso calor”, disse. “Por algum tempo. É só o que posso prometer.”

“Vai curá-lo?”

“Nenhuma promessa minha pode dizer isso. Leve à pessoa que conhece a doença dele. Não o faça engoli-la. Não a troque com a mulher que enviou você.”

Elara não estendeu a mão imediatamente.

“Por que me ajudaria?”

“Porque seu irmão não veio aqui com esses frascos.”

As palavras atingiram sem força, e por isso chegaram mais fundo.

“E porque”, acrescentou a mãe, olhando para a pequena criatura que agora tentava tirar um fio de lã do próprio chifre, “meu filho lhe ofereceu algo.”

Elara estendeu a mão vazia. O filhote se inclinou, examinou seus dedos e empurrou a escama os últimos centímetros com o focinho.

Ela aceitou.

“Obrigada.”

“Ajude-o”, disse a mãe. “Depois decida o que fará a respeito da pessoa que a mandou aqui.”

Na porta, Elara parou.

“Os frascos...”

“Traga sua curandeira para buscá-los. À luz do dia. Anunciem-se na clareira.”

O filhote começara a se acomodar de novo em seu arco-íris. Uma asa se ergueu, depois dobrou. Os olhos só se fecharam depois que Elara saiu.

Ela levou uma escama dada livremente e a consciência de que aquilo não era a mesma coisa que ser perdoada.

O caminho de volta de mãos vazias

Elara chegou à aldeia quando a primeira luz cinzenta tocava as chaminés. Não foi à casa do pedágio. Foi direto para casa, correndo o último trecho com tanta força que bateu o ombro na porta antes de se lembrar do trinco.

A curandeira estava sentada ao lado da cama de seu irmão.

As botas estavam cobertas de lama da estrada da crista. O mensageiro dormia sentado contra a parede, ainda segurando o gorro. A vizinha tinha uma chaleira na mão e a expressão exausta de quem passara a noite fazendo tudo, menos se desesperar.

“Onde você esteve?”, perguntou a curandeira.

Elara abriu a mão.

Então contou a verdade, mal a princípio e melhor quando ninguém interrompeu.

A curandeira ouviu todo o relato antes de tocar na escama. Examinou-a, envolveu-a num pano e a encostou na parte interna do próprio pulso.

“Quente”, disse. “Constante também.”

“A mãe disse que não era uma cura.”

“Então é a primeira pessoa na sua história que descreveu o que sabe sem acrescentar um discurso de venda.”

Elara olhou para a cama. Os olhos do irmão estavam entreabertos. A respiração soava dolorosamente fraca.

“Pode ajudá-lo?”

“Já comecei. Gostaria de poder prometer mais do que isso.”

Pediu panos limpos à vizinha. Conferiu o remédio que trouxera, perguntou a Elara quando os tremores haviam começado e ouviu as respostas com atenção. A escama permaneceu embrulhada ao lado da cama até que ela tivesse certeza de que seu calor suave poderia aliviar os calafrios sem causar desconforto. Era uma ajuda nos cuidados, não um substituto para eles.

Não houve labareda repentina. Nenhuma luz dourada preenchendo o quarto. Seu irmão não se sentou curado exigindo café da manhã.

Elara teve de permanecer ao lado dele enquanto a manhã passava.

Trocou a água. Respondeu a perguntas. Segurou a xícara quando a curandeira pediu e parou quando ele precisava descansar. Eram tarefas pequenas e repetitivas, sem nenhuma barganha heroica. Também eram aquilo de que ele precisava.

Ao meio-dia, ele a reconheceu.

“Você está horrível”, sussurrou.

Ela começou a chorar tão de repente que ele franziu a testa.

“Não tão horrível.”

A curandeira lhes deu um momento, depois mandou Elara comer alguma coisa. A vizinha tomou seu lugar. Fazer vigília, ela aprendeu, não significava provar que podia ser a pessoa mais exausta do quarto.

A febre cedeu naquela noite. Voltou de madrugada, menos intensa, e a esperança de Elara se contraiu ao tamanho da próxima respiração. A curandeira ficou. Na tarde seguinte, seu irmão conseguia beber sem ajuda. No terceiro dia, reclamou da sopa.

Ninguém jamais agradecera tanto por ouvir uma opinião sobre nabos.

O brilho da escama enfraqueceu ao longo daqueles dias. Quando seu calor acabou, Elara a colocou no parapeito. Parecia um pedacinho de vidro rosa. Não contou a ninguém que ela o curara. A curandeira trabalhara, os vizinhos ajudaram, e o presente deixara uma pessoa assustada um pouco mais confortável enquanto seu corpo lutava para recuperar a saúde. Aquilo bastava para ser grata.

Quando ele estava se recuperando em segurança, ela foi com a curandeira e dois guardas da aldeia à clareira da floresta. Chamaram antes de entrar. Elara não levava saco algum.

A mãe os encontrou na soleira. O filhote espiou por trás de sua pata dianteira, percebeu os desconhecidos e se recolheu outra vez.

Elara permaneceu onde estava.

“Ele está melhorando”, disse.

Os ombros da mãe relaxaram, quase imperceptivelmente.

A curandeira recolheu os dois frascos lacrados. Não os abriu dentro da casa. Os guardas ouviram enquanto Elara repetia as palavras da mulher do pedágio, incluindo as partes que mostravam suas próprias escolhas da pior maneira. Examinaram o mapa, os rótulos e a linha vermelha característica em torno das rolhas.

“Vamos falar com ela”, disse um.

“Ela vai dizer que entendi errado.”

“Então perguntaremos por que um mal-entendido veio acompanhado de uma poção para dormir, um veneno desconhecido e um mapa até o filho de alguém.”

A investigação demorou mais do que uma história satisfatória talvez preferisse. A mulher do pedágio negou quase tudo e explicou o resto de forma tão elaborada que os guardas começaram a escrever mais depressa. Um depósito trancado continha gaiolas, redes de captura e registros de compradores interessados em criaturas raras. Essas descobertas importavam mais do que boatos sobre suas gavetas. Seu comércio foi suspenso enquanto o magistrado ouvia as provas, e a passagem pela floresta passou a ser vigiada.

Elara prestou depoimento. Não pediu aos guardas que omitissem sua participação.

Também não transformou a casa de tecelagem numa atração da aldeia. Quando perguntavam onde o dragão dormia, ela dizia que era um lar, não um destino de visitação.

Várias semanas depois, voltou à clareira com um feixe de lã seca. Chamou da trilha e esperou.

A mãe apareceu. O pequeno dragão a seguiu num andar bamboleante e digno, prejudicado apenas pelo tufo de fibra azul preso à cauda.

“Um presente?”, perguntou a mãe.

“Se vocês quiserem. Nada em troca.”

O filhote farejou o feixe, agarrou um fio amarelo e tentou sair andando com muito mais lã do que conseguia carregar. A mãe pegou a ponta arrastada antes que ela se desenrolasse pela encosta.

Pela primeira vez, Elara a ouviu rir.

“Pode deixar no degrau.”

Ela deixou. Então se afastou.

Lá dentro, o cesto fora movido para debaixo da parte mais firme do telhado. A luz do sol aquecia o piso de madeira. O filhote subiu em seu arco-íris, amassou a lã nova com patinhas compenetradas e deu duas voltas antes de se acomodar. Uma asa alaranjada ficou erguida, como se ele tivesse esquecido a última instrução para dormir.

Elara pensou no irmão em casa, discutindo com a vizinha se já estava bem o bastante para carregar lenha. Pensou no saco que trouxera na primeira visita.

Havia coisas que ela não podia tornar falsas.

Havia também coisas que podia escolher nunca mais fazer.

Na trilha, olhou para trás uma vez. A mãe observava da porta. Entre elas não havia dívida, barganha ou promessa de confiança instantânea — apenas uma pequena distância cuidadosamente respeitada.

No cesto, o dragonzinho dormia.

Um arco-íris para acolher sua volta

A suavidade de Nestled in a Rainbow's Embrace vem das pequenas coisas: uma cauda rosa enrolada sobre lã turquesa, asas alaranjadas capturando a luz e um cesto de vime que abre espaço para um dorminhoco muito incomum. Uma impressão em canvas leva essas texturas acolhedoras e cores vivas para um canto de leitura, onde a imagem pode oferecer uma pausa tranquila até num dia barulhento.

Se preferir passar um tempo entre os detalhes, o quebra-cabeça da obra transforma aquela coberta de arco-íris em companhia para uma noite sem pressa. Um cartão de felicitações leva o mesmo desejo de conforto a outra pessoa. Explore as impressões e os presentes desta obra e escolha como esse pequeno dorminhoco cabe no seu dia. Sem barganhas na floresta.

Arte de Nestled in a Rainbow's Embrace em canvas, almofada decorativa, quebra-cabeça e cartão de felicitações num canto de leitura acolhedor.

Deixe um comentário

Observe que os comentários precisam ser aprovados antes de serem publicados.