Felizes para sempre... na maior parte do tempo
Entrevistador: Boa tarde, pessoal! Obrigado por aceitarem conversar conosco. Vocês dois parecem... bem, que dupla! Há quanto tempo estão juntos? Jasper, o gnomo (arrasando com o chapéu listrado): Ah, faz o quê? 237 anos, meu amor? Greta, a gnoma (de braços cruzados, sem paciência): Parecem 500. Jasper: Ela está brincando! Nós nos conhecemos na Festa dos Gnomos de 787. Ela não resistiu aos meus passos. Greta (impassível): Sim, ele estava dançando em cima de um cogumelo e despencou. Achei que estivesse morto. Devia ter deixado lá. Entrevistador: Nossa, parece que foi amor à primeira... queda?
Greta: Mais um acidente infeliz que virou prisão perpétua. Tente dizer não quando um gnomo pede você em casamento na frente da aldeia inteira dos cogumelos. Não tem saída. Jasper (rindo): E que linda prisão perpétua tem sido! Não se deixe enganar — ela é minha flor no jardim, meu sol na floresta, minha... Greta (interrompendo): Aff. Por favor, seu bobo romântico, os cogumelos estão ficando vermelhos. Não vamos fingir que você não passa a maior parte dos dias “procurando” fungos com os amigos. Não vejo você sóbrio desde a última véspera do Solstício de Verão.
Entrevistador: Parece que vocês têm papéis muito... hum, equilibrados na relação. Como mantêm a chama acesa depois de todos esses séculos? Greta (revirando os olhos): Chama? Ah, tem bastante fogo — principalmente o que eu acendo debaixo do traseiro preguiçoso dele. Faço todo o trabalho pesado. Cuido do jardim, espanto trolls, e ele faz o quê? Faz o sinal de rock para os gnomos que passam e finge que ainda está nos “anos de glória”. Jasper: Isso não é verdade! Sou um provedor. Trago para casa os cogumelos mais raros. Na semana passada mesmo encontrei um Cogumelo dos Peidos Eternos. Raríssimo. Um exemplar valioso!
Greta: Ah, sim, e desde então tive o prazer inigualável de sentir esses peidos. Obrigada por isso. Entrevistador (rindo): Então, qual é o segredo para sobreviver a séculos juntos? Greta: Garantir que ele esteja lá fora quando os peidos começarem. E sempre manter uma frigideira por perto... por precaução. Jasper: E amor! Muito amor! E, sabe, perdoar um peido ocasional... ou dez. Greta: *Suspiro* As coisas que aguento por amor. Ele tem sorte de ser fofo. Por pouco. Entrevistador: Bem, está claro que vocês têm algo especial, mesmo que seja um pouco... aromático! Alguma última dica para o pessoal de casa sobre como manter firme um casamento de gnomos?
Greta: Não. Faça. Isso. Jasper (sorrindo): Ah, qual é, meu amor, não fique rabugenta. Eu diria: continuem rindo. Seja da cara emburrada dela, seja das minhas “habilidades” de procurar cogumelos, o riso nos mantém juntos. Greta (cedendo só um pouquinho): Hum. Está bem. Riso... e uma frigideira. Entrevistador: Vocês ouviram aqui primeiro, pessoal — peidos, frigideiras e risadas. Essa é a chave para um casamento feliz entre gnomos. Obrigado pelo tempo de vocês! E boa sorte com... bem, sobreviver um ao outro. Jasper: Quando quiser! Agora, sobre aquela expedição em busca de cogumelos de que eu estava falando...
Greta: Não. De jeito nenhum. Acabamos por aqui.
A história de Jasper e Greta: um amor (e uma guerra) entre gnomos
Era o ano de 787, uma época agitada no mundo dos gnomos. Os festivais estavam na moda, e os jovens gnomos pulavam de cogumelo em cogumelo como se não houvesse amanhã. No meio daquele caos estava Jasper, autoproclamado “garanhão selvagem do bosque”, conhecido por suas lendárias habilidades de encontrar cogumelos e pela capacidade de beber uma caneca inteira de néctar sem desabar. Do outro lado da floresta? Greta. Estoica. Teimosa. Sem tempo para as bobagens de ninguém. Passava os dias numa solidão tranquila, cuidando do jardim e aperfeiçoando seu famoso olhar mortal, capaz de congelar um goblin onde estivesse. A última coisa que queria era um idiota de olhos arregalados e despreocupado invadindo sua vida.
E, no entanto, o destino — ou talvez apenas o azar — tinha outros planos. Eles se conheceram na célebre Festa dos Gnomos, onde Jasper, numa demonstração espetacular de falta de jeito, escorregou de um cogumelo ao tentar um passo de dança especialmente ousado. Caiu de cara no canteiro de Greta. Coberto de terra e murmurando algo sobre “amor verdadeiro”, Jasper se apaixonou. Greta? Nem tanto. Mas, como acontece entre gnomos, a persistência dá resultado. Jasper a cortejou com cogumelos raros de presente (ainda não os que causavam peidos) e serenatas encantadoramente horríveis. Greta, contra a própria vontade, começou a ceder — principalmente pelo cansaço diante das tentativas incessantes dele. E assim, sob o brilho suave dos chapéus de cogumelo e entre pequenos vagalumes, tornaram-se o casal mais improvável da floresta.
Desde então, atravessaram séculos de felicidade gnômica: discussões, caçadas a cogumelos e tantas reviradas de olhos de Greta que dariam para mover um moinho. O amor deles, embora não seja coisa de conto de fadas, é real. É feito de sarcasmo, piadas de peido e uma compreensão profunda e silenciosa de que estão presos um ao outro — na alegria e na tristeza. E, sinceramente? Não gostariam que fosse diferente. Exceto, talvez, Greta. Ela ainda não se decidiu.

Sir Grumblethorn and the Mushroom That Disagreed
The Wink That Got Away With Everything
The Dewdrop He Swore He Could Handle